A mais arrebatadora obra de arte que vi na última Art Basel Miami foi uma instalação dividida em seis partes, intitulada Deletrear lição #1: ideologia / Spelling lesson #1: ideology, de Maurício Ianês, no estande da Galeria Vermelho. Composto por uma série de bandeiras monocromáticas, em preto-e-branco, o trabalho foi criado pela abstração da bandeira nacional brasileira em suas partes componentes – versões monocromáticas do campo verde com um grande diamante amarelo incorporando um disco azul com faixa e estrelas brancas e as palavras “Ordem e Progresso”. Era um dramático e eloquente trabalho, que chamou muita atenção. Feito em uma edição de três, o trabalho foi vendido. Um deles para um proeminente colecionador de trabalhos neoconcretos que não tinha qualquer informação anterior sobre Ianês, mas foi simplesmente e diretamente tocado pela beleza do trabalho e seus ecos históricos.

Ianês, que nasceu em Santos, em 1973, e agora vive em São Paulo, não faz sempre trabalhos colecionáveis ou acessíveis, já que foca bastante o aspecto performativo da arte. Na verdade, o conceito de Deletrear lição #1: ideologia começou com uma performance desconstrutiva, delicadamente política, para o espaço de arte contemporânea do Kunsthalle Düsseldorf, na qual a palavra “progresso”, escrita em areia negra no chão, era lentamente desgastada e apagada enquanto os espectadores caminhavam por cima da obra.

Os preços dos trabalhos de Maurício Ianês vão de US$ 3.000, para obras como as da série de 1999 feitas com fita isolante preta 12 poemas de Paul Celan e atingem o valor de US$ 15.000 .

O artista tem feito exposições pelo Brasil e internacionalmente e é representado pela Galeria Vermelho, em São Paulo, e pela Y Gallery, em Nova York.

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