© Marcelo Machado

Marcelo Machado é parte da nova geração de jovens colecionadores apaixonados. Mora e trabalha em Recife, onde atende como psiquiatra em uma clínica de recuperação de dependentes químicos. Busca obras que o emocionem, mas também que sejam densas. Marcelo acredita que é importante fomentar a produção local.

Como começou sua coleção?
Comecei visitando instituições como o MAMAM em Recife e galerias como Mariana Moura e Amparo 60. Minha coleção iniciou-se há cinco anos, adquirindo pinturas e mídias tradicionais. Hoje vejo a produção local muito forte e por isso, agora, faço aquisições de peças contemporâneas, como fotografias, objetos e videoarte.

As primeiras obras que comprei foram…
Uma tela de Bruno Vieira, Julieta, de uma série de personagens de cinema que adquiri na Galeria Dumaresq, e uma tela de Paulo Meira, Envelope Francês, na Galeria Amparo 60.

A última obra que comprei foi…
Recentemente, adquiri um cubo de Eudes Mota e uma fotografia de Carlos Mélo, ambos na Galeria Mariana Moura.

Meus artistas prediletos são…
Quase todos do Recife. Tenho muito contato com artistas e galeristas daqui, gosto de todos, mas os preferidos são Marcio Almeida, que tem uma produção contemporânea, e Paulo Bruscky, que desde a Bienal de São Paulo vem me encantando. Gosto muito dos coletivos de Recife; por exemplo, A Casa Como Convém.

Meu suporte predileto é…
Objeto, mas percebo que minha coleção está tomando um rumo para as instalações.

Onde você guarda sua coleção?
Atualmente guardo em casa. Já cheguei a desfazer o escritório aqui de casa simplesmente para dar espaço a uma obra de Almandrade, que deveria estar ao ar livre. O espaço físico, bem como a manutenção das obras, é um desafio constante para o colecionador. Existem mídias que são muito delicadas, que requerem um cuidado especial. Tenho planos futuros de juntar um grupo de dois ou três colecionadores de Recife e ter uma reserva técnica para guardar as obras e receber os amigos. Quem sabe um dia não vira um espaço público?

Qual é a importância de prestigiar os artistas locais?
Sou novo, tenho 33 anos, e comecei a coleção aos 28. Era fascinado pelos artistas históricos, mas hoje prefiro a arte contemporânea. A produção de Recife é muito intensa e acredito que fomentar a produção local é muito importante. No caso do artista Bruno Vieira, por exemplo, eu acho interessante acompanhar a evolução do trabalho dele, seu desdobramento. Isso vai além da relação com o objeto. Às vezes, viabilizo projetos para comprar depois.

Tem algum sonho de consumo não realizado?
Sonho em ter um Tunga. Internacionalmente, queria ter uma obra de Olafur Eliasson e fotografias de Nan Gouldin, uma série dos anos 1980 sobre o surgimento da “epidemia” de Aids e dependentes químicos. Sou psiquiatra e isso me atrai bastante.

O que o leva a escolher uma peça?
A emoção me leva à escolha, seja de um artista iniciante ou já consagrado. A obra vai conviver comigo, por isso tem que me emocionar. Claro que observo a qualidade técnica e o material, mas a emoção é a principal forma de escolher uma obra. Já cometi erros ao comprar uma obra pelo renome do artista e o convívio com ela não me agradar. As pessoas devem entender que a arte não está reservada a um multimilionário, ou seja, todos são capazes de começar uma coleção. Sou novo e tenho muito tempo pela frente para continuar a aumentar a minha. A dica que dou aos novos colecionadores é visitar muitas instituições, galerias, ateliês e ir apurando o gosto, treinando o olhar e sentindo a sintonia entre você e a obra.

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