© Marcela Tibone

DASARTES 07 /

Marcela Tiboni sobre a Cité Des Arts

Experimentar novos ambientes traz ideias frescas.

“Eu passei quase um mês inteiro sem conversar com ninguém. Não por falta de oportunidade, mas por vontade própria mesmo. Eu queria aproveitar este período de silêncio interno, esta possibilidade de não falar, de estimular o olhar, a percepção, de não precisar dar satisfação ou comparecer a compromissos. Com o tempo, fui começando a conhecer meus vizinhos, os outros ateliês, frequentar as aberturas de exposições nos estúdios e, efetivamente, travar contato com os outros artistas de tantas partes do mundo.

Costumo sempre dizer que eu produzi em Paris em seis meses o que produzi no Brasil em dois anos. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de programar o meu dia pensando exclusivamente na arte e na minha produção, isso foi formidável. Eu estava totalmente sensível, tudo me estimulava, tudo me tocava, tudo que eu via nas ruas, nos museus, nos parques me dava ideias, me dava uma imensa vontade de fotografar, de escrever projetos, de iniciar pesquisas.

Como eu sempre fiz, e ainda faço, autorretratos, esta imersão em uma residência em outro país foi fundamental, porque acho que foi a primeira vez que consegui me perceber como um “corpo” que existe além de mim mesma. Quando se cria uma rotina aqui em São Paulo, é extremamente difícil sair de um ciclo vicioso; é muito difícil se perceber dentro do excesso de tarefas, de compromissos, de obrigações. Na residência, eu pude me perceber quase que de fora, pude me observar de uma maneira mais pura, mais limpa e, de certa forma, mais intensa.

Isso tudo se refletiu em minha produção. Percebo que meus trabalhos ficaram mais silenciosos, mais poéticos, mais limpos. Eu sempre brinco dizendo que “divido minha vida entre antes e depois da Cité”, porque entendo que esta residência foi mesmo um marco em mim e na minha produção.”

Compartilhar:

Confira outras matérias

Matéria de capa

Regina Parra: Eu me levanto

Não é a realidade que é exterior, é que não há exterior em uma prática artística em que o corpo …

Do mundo

500 anos de Tintoretto

Jacopo Robusti, conhecido como Tintoretto, nasceu em Veneza entre 1518 e 1519, não se sabe ao certo. Por ocasião de …

Flashback

Lasar Segall: ensaio sobre a cor

 

Nascido na comunidade judaica de Vilna (Lituânia), Lasar Segall (1891-1957) adquiriu formação acadêmica em Berlim e participou da Secessão de …

Alto relevo

Paul Klee

Poucos artistas do século 20 são tão singulares quanto o suíço Paul Klee. Sua obra é como um grande lago …

Garimpo

Coletivo Lâmina

Em sua 10ª edição, o já tradicional Salão dos Artistas sem Galeria apresenta duas mostras coletivas simultâneas em São Paulo, …

Matéria de capa

Alphonse Mucha

Alphonse Mucha é hoje um dos artistas tchecos mais famosos do mundo. Nascido em 1860 na região da Morávia, ganhou …

Destaque

Rosana Paulino: a costura da memória

Voz singular em sua geração, Rosana Paulino surgiu no cenário artístico paulista em meados dos anos 1990, propondo, de modo …

Do mundo

Anni Albers

Anni Albers começou seus estudos na Escola Bauhaus em Weimar em 1922. Apesar de seu desejo inicial de ser pintora, …

Reflexo

Vinicius SA por ele mesmo

O pensamento científico me influencia pela racionalidade, pelo cálculo e pela possibilidade de antever meus projetos. A prática artesanal é …

Garimpo

Marcel Diogo

A escolha dos leitores da Dasartes para o concurso Garimpo Online 2018/2019 é Marcel Diogo, somando a votação no site …

Resenhas

Resenhas

Intempéries permanentes e Ultramar
Referência Galeria de Arte
Intempéries permanentes – visitação até 23 de fevereiro
Ultramar – visitação até 26 de janeiro
POR …

Destaque

Jean-Michel Basquiat na Fundação Louis Vuitton

Inquebrável

Parece que palavras “tour de force” foram criadas para a exposição épica de Jean-Michel Basquiat na Louis Vuitton Foundation. A …

Matéria de capa

Andy Warhol: de A para B e vice-versa

“Eles não queriam meu produto. Ficavam dizendo ‘queremos sua aura’. Nunca entendi o que queriam.” – Andy Warhol
Esse trecho tirado …

Flashback

Constantin Brancusi

Constantin Brancusi (1876-1957) exibiu pela primeira vez sua escultura em Nova York, no Armory Show de 1913, ao lado de …

Do mundo

Jaume Plensa

“A escultura é a melhor maneira de fazer uma pergunta.” Jaume Plensa

“Firenze II”, de 1992, é um enorme ponto de interrogação …