Manifesto de convocação de artistas à alternativa 2010

© Galeria Fortes Vilaça, São Paulo. Eduardo Ortega

Depois da última Bienal, em 2008, pedimos uma real e profunda reflexão, pois nela não vimos Arte em suas várias representações. Ficou, literalmente, um vazio depois de milhões de reais investidos no vazio.

Para este ano de 2010, já se desenha uma Bienal confusa, com declarações sem conceito definido: arte política, terreiro, posições desencontradas, explicações que mudam a cada dia, parecendo visar apenas agradar à mídia, sem uma verdadeira preocupação com a Arte, sem pesquisa sólida ou escolha fundamentada.

Depois da crise, o mercado tenta novamente estender seu domínio, mas devemos ter uma posição firme, clara, para um melhor e mais promissor mundo da arte, promovendo uma ação e reflexão, para alimentar com consistência a nossa cultura. Já se faz notar que a Bienal maquiará uma feira, alternando interesses de mercado e grupos de amigos, em acordos previamente acertados, sem nenhuma lógica ou justificativa conceitual em benefício do desenvolvimento da arte. Nenhuma pesquisa – ou conselho – para a formação do grupo curatorial, ignorando o exemplo da Bienal de Walter Zanini, Sheila Leirner (a grande parede) ou ainda Roberto Muylaert (que gerou tradição e ruptura).

A chamada de ordem do poder econômico grita mais alta e não é, necessariamente, a real expressão da arte. Arte política se faz por simbolismos, denunciando poderes autoritários ou regimes de repressão, sejam eles políticos, religiosos ou sectários.

Daí a ideia de fazer política democrática organizando uma manifestação para que todos os artistas possam levar sua mensagem através de uma obra, de qualquer estilo ou forma, para fazermos um grande cordão em volta do prédio da Bienal, fazendo mostrar que não se conhece a produção real da arte.

Será esta a possibilidade de mostrarmos o que verdadeiramente se produz atualmente.

Proponho, logo após o cordão, fazermos uma grande montanha de obras e vamos descobrir qual será o seu destino, mostrando claramente as parcerias disfarçadas de conceitos contemporâneos de destino certo: o mercado especulativo, que prevê retorno do investimento, a bolha (ilusória) da arte.

Pelo muito que já foi divulgado na mídia e em redes sociais da internet, a 29ª Bienal será um “make-up” (influência da São Paulo Fashion Week?), uma feira com interesses de grupos que faturam no mercado de arte e artistas partícipes destes acordos “the dark side of the moon” da Bienal. Sorry, Pink Floyd, pela lista dos “Deuses do Olímpio”.

E o público? Ninguém pensou na importantíssima função socioeducativa para as massas?

Nós pensamos e vamos fazer a Bienal de todos.

Ivald Granato é artista plástico e performático, atual presidente da G11 Associação para o Desenvolvimento da Arte e Cultura.

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