© Cortesia Philips

BUSCANDO O OURO: UM ESTUDO DE MERCADO – Está em cartaz no MoMA de Nova Iorque a principal retrospectiva já feita sobre a produção de Lygia Clark. Esta mostra é a primeira exposição abrangente de seu trabalho na América do Norte. Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948–1988 é composta por cerca de 300 obras feitas entre o final dos anos 1940 e 1988, ano de sua morte. Elaborada a partir de coleções públicas e privadas, incluindo o próprio MoMA, a curadoria foi pensada em torno de três eixos fundamentais: abstração, neoconcretismo e o “abandono” da arte. Cada um desses eixos ancora um conceito ou uma constelação de obras que marcam um passo definitivo na carreira de Clark. Enquanto o legado de Clark no Brasil é profundo, esta exposição agora chama uma maior e muito merecida atenção internacional ao seu trabalho.

Similar ao rápido aumento nos preços dos imóveis na Zona Sul do Rio de Janeiro em função da Copa do Mundo e das Olimpíadas, os preços de Lygia Clark subiram dez vezes nos últimos anos, antecipando a retrospectiva do MoMA. Agora que esta mostra monumental foi aberta, o que os profissionais podem prever para os preços após seu encerramento?

fSegundo Mary Sabatino, sócia e vice-presidente da Galerie Lelong, que há tempo vem atuando com obras de Lygia Clark, o mercado em relação às suas obras evoluiu consideravelmente nos últimos cinco anos. Antes, seus Bichos eram vendidos por algumas centenas de milhares de dólares e sendo colecionados amplamente por brasileiros e apreciadores de arte brasileira. “Agora, os Bichos atingem a marca de sete dígitos porque o mercado se tornou internacional”, diz Sabatino. “Não é que o seu trabalho foi ‘descoberto’; Clark tem sido incluída em todas as exposição importantes de arte latino-americana. Antes, ela apenas não era valorizada. As pessoas vem lentamente compreendendo que Hélio Oiticica e Lygia Clark fizeram profundas contribuições para a história da arte e, como os colecionadores de todo o mundo têm olhado para além de suas esferas geográficas recentemente, eles naturalmente encontraram Clark”.

Como resultado, o mercado de Clark se tornou mais profundo e mais amplo e desenvolveu uma escassez, o que o tem impulsionado ainda mais. Então para onde vamos a partir de agora – é uma bolha? “Os compradores sempre se antecipam em retrospectivas como essa”, continua Sabatino, “as vendas das obras de Lygia Clark talvez tenham encontrado seu lugar. Mas é uma artista que solidamente entrou para a história. É um trabalho caro? Certamente não quando comparado aos artistas de carreira em ascensão que temos visto nos leilões – embora quem sabe onde estaríamos no caso de uma recessão”.

Uma indicação de quão profunda e vasta a demanda por Lygia Clark se tornou aconteceu quando seu Bicho Parafuso Sem Fim (1960) foi colocado à venda com estimativa entre US$1,5 milhão e US$2,5 milhões no leilão da Phillips, em Nova Iorque, no fim de maio. Será que o Bicho vai pegar?

 

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