Lucia e Luiz Roberto Sampaio

© divulgação

A coleção do economista Luiz Roberto Sampaio e de sua esposa, Lucia, começou quando o
casal ainda namorava e não parou mais de crescer. O cuidado na disposição das obras tem ar
de curadoria: há o espaço dos concretos e dos modernos, por exemplo, e todos convivem
harmoniosamente. O coração do casal, porém, tem lugar cativo guardado para um
determinado período: “Adoramos os neo-concretos; é pena que a produção de artistas como
Helio Oiticica, Lygia Clark e Willys de Castro nessa fase tenha sido tão pequena.”

Como se dá com vocês o processo de aquisição de uma obra de arte?

Gostamos de observar alguns itens, que na verdade são crivos por que passa a obra antes da
aquisição. O primeiro é o artista, sua história e sua originalidade criativa, em qual momento da
arte (brasileira ou internacional) ele se insere etc. Depois olhamos para a obra em si, sua
importância na trajetória do artista, a qualidade da execução, sua estética (o que não quer
dizer beleza) e a época em que foi produzida. Por fim, tentamos inserir a obra no nosso acervo
para que a coleção tenha uma coerência; por isso, períodos, escolas e estilos são levados em
conta.

As primeiras obras que compramos foram… duas esculturas do Bruno Giorgi, por volta de 1985.

E compramos essas obras porque… a Silvia Cintra, que na época estava começando sua
carreira de marchand e era casada com Antonio Cintra, meu ex-sócio, despertou meu
interesse. Ela me levou ao atelier do artista para conhecê-lo. Adorei o trabalho dele e acabei
comprando as esculturas.

E as últimas obras que comprei foram… um Iran do Espírito Santo e, na ArtRio, uma série de telas com aplicações de esmaltes automotivos da artista alemã Katinka Pilscheur.

E compramos essas obras porque… chamaram nossa atenção enquanto passeávamos pela
feira.

Como vem se desenvolvendo sua coleção?

Inicialmente nosso gosto nos levou para o moderno brasileiro: Tarsila, Volpi, Pancetti,
Portinari, Di Cavalcanti. Claro que nosso olhar busca uma evolução; nos últimos anos,
adquirimos mais obras neo-concretas e contemporâneas.

Voces preferem artistas nacionais ou estrangeiros?
Temos alguns estrangeiros como Soto, Cruz Diez, Leon Ferrari e Chamberlain, mas a maioria do nosso acervo é de brasileiros.

Teve algo que vocês compraram e depois se arrependeram? 

Não. Geralmente, nos arrependemos mais do que não compramos (risos).
Hoje em dia vocês privilegiam mais modernos, neo-concretos ou contemporâneos? Adoramos os neo-concretos; as obras brasileiras dessa época são de excepcional qualidade, tanto que podem ser vistas em museus como o MoMa e a Tate Gallery em salas exclusivas é pena que a produção de artistas como Helio Oiticica, Lygia Clark e Willys de Castro nessa fase
tenha sido tão pequena; é muito difícil achar obras desse período.

Vocês têm suporte preferido?

Temos mais pinturas, porque a tela é um suporte mais fácil de expor; esculturas exigem
espaços maiores, apesar de a casa e o jardim serem grandes. Temos dois filhos e a casa vive
cheia de amigos; as esculturas delicadas podem ser um problema, apesar de nossos filhos
terem crescido com arte, aprendendo desde cedo a terem cuidado com as peças e a respeitá-
las.
E a fotografia?

Gostamos muito, mas, pelo fato de o Rio ser uma cidade muito úmida e o papel um suporte
sensível, não privilegiamos fotografias.

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