Duas décadas após a famosa exposição Freeze, produzida por Damian Hirst, e o surgimento do movimento YBA (Jovens Artistas Britânicos), Londres permanece um pólo de arte contemporânea. Com mais de 150 galerias internacionais, a Freeze Art Fair ocorre durante o mês de outubro no centro da cidade. Londres também abriga leilões importantes em casas como a Sotheby’s e Christie’s, e vem atraindo galeristas influentes e respeitáveis instituições de arte, incluindo a Tate Modern, Saatchi e Gagosian Gallery.

Em uma cidade cosmopolita como Londres, onde a arte contemporânea faz parte não apenas do circuito cultural, mas também da arquitetura urbana, é natural que existam minipólos e regiões que refletem sua geografia econômica e social. Um deles é a região leste da cidade, que se destaca como uma das áreas mais excitantes e provocantes do circuito da arte londrino e que, nos últimos anos, vem ganhando projeção internacional. Ela engloba, entre outros, os bairros de Old Street, Shoreditch, Hackney e Bethnal Green. Localizado a minutos do centro financeiro de Londres – a famosa City –, o East End abriga atualmente a maior concentração de artistas da Europa.

Antigamente uma área underground e precária, o leste londrino passou por um processo de revitalização, devido em grande parte ao boom financeiro. Nele, mais de 180 galerias de arte co-habitam junto a uma comunidade de imigrantes e jovens, estimulando assim a criatividade e gerando tendências em diversas áreas, como as artes visuais, a moda, a arquitetura, o design e a música.

A Whitechapel Gallery é um exemplo dessa revitalização. Uma das instituições mais antigas da região, fundada há mais de cem anos, a galeria passou por um processo de expansão que terminou em abril deste ano. Em um projeto ambicioso que duplicou seu tamanho, ela agora inclui novas salas expositivas, um espaço de pesquisa para seu arquivo histórico e para educação, livraria, café e restaurante. O visitante não deve deixar de conferir suas interessantes exposições.

Não muito longe dali, encontra-se a região de Spitafields. Nela, vivem e trabalham os artistas Gilbert & George, e encontra-se um dos novos espaços artísticos da região, a Raven Row Gallery. Rodeada por antigos prédios do século 18, é um espaço para exposições sem fins lucrativos criado pelo colecionador Alex Sainsbury e dedicado especialmente ao trabalho de novos artistas e curadores, como Dave Hullfish Bailey e Nils Norman. No passeio, vale destacar a rua Bricklane, repleta de restaurantes, lojas, bares e casas noturnas, frequentados por uma mescla da herança de imigrantes indianos e da juventude que vive nos arredores.

Entre as mais renomadas galerias do East End, estão a White Cube em Hoxton Square e a Victoria Miro, entre Hoxton e Islington. Ambas se estabeleceram por lá há quase dez anos, em um processo migratório do centro de Londres para o leste, em busca de maior espaço expositivo. Entre os artistas representados por elas, estão YBAs como Damien Hirst, Tracey Emin, Grayson Perry e Cris Offili, além da artista brasileira Adriana Varejão. Em Old Street, o visitante também irá encontrar diversos restaurantes e bares. Vale destacar o Rivington Grill, onde pode ser degustada uma cuisine inglesa básica e saborosa, cercando-se de paredes brancas em que estão expostas obras de arte de Tracey Emin, Peter Doig e Jasper List Thomsen, entre outros.

Atrelada ao boom financeiro, a especulação imobiliária levou muitos artistas e galerias a se mudarem ainda mais para o leste. Assim, Hackney e Bethnal Green passaram a fazer parte de forma mais proeminente do circuito das artes, como um destino para a nova arte em ascensão. Em particular, a Vyner Street, uma rua no coração de Hackney, destaca-se por suas inúmeras pequenas galerias, escondidas atrás de enormes e sólidas portas de metal em armazéns abandonados. É recomendado ao visitante ter um mapa delas para não se perder. Atrás dessas portas, estão a Wilkinson Gallery, Ibid Project, Kate MacGarry e Nettie Horn. Na primeira quinta-feira do mês, a partir das 18h, as galerias da Vyner Street ficam abertas até tarde para o público, predominantemente jovem e engajado. Essa área mais afastada da cidade também é o endereço de nomes reconhecidos da cena artística inglesa e internacional, como a galeria Maureen Payle, Chisenhale, a Matt’s Gallery e a The Aproach Gallery, além de vários estúdios de artistas e espaços independentes, que fazem dela uma meca da arte contemporânea.

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