Limites Sem Limites. Desenhos e Traços da Arte Povera

© Elvira T Fortuna

Com curadoria de Gianfranco Maraniello, Limites Sem Limites. Desenhos e Traços da Arte Povera apresenta obras de 12 artistas que fizeram parte do período artístico italiano que o crítico Germano Celant chamou, ao final dos anos 1960, de arte povera. Foram protagonistas desse momento pesquisas artísticas com materiais não convencionais que privilegiavam a ação, o gesto e a experiência em vez da obra fechada. Amarrada pelo discurso do desenho, a exposição mostra, por meio de produções de diferentes épocas – de 1960 até 2014, com a obra Ódio, de Gilberto Zorio composta especialmente para esta ocasião – como os artistas da arte povera encararam o uso do traço dentro de diferentes processos, em vez de colocá-lo unicamente a serviço de figurações. Um verdadeiro desafio, dadas as diferenças entre as pesquisas e os percursos de cada artista.

Na obra de Alighiero Boetti, por exemplo, o desenho é explorado como sistema de preenchimento repetitivo, enquanto no trabalho de Marisa Merz, única mulher da exposição, o traço forma uma malha nebulosa, tecida por meio da organicidade do cobre. Já nos espelhos de Michelangelo Pistoletto o desenho trans-borda: definida por grossas margens de madeira, a obra remete tanto aos limites do objeto quanto aos do observador – traços que unificam precocemente a imagem do eu. Assim como aconteceu com obras de Nuno Ramos, Waltercio Caldas e Regina Silveira, o edifício da Fundação Iberê Camargo se torna elemento na composição desses processos artísticos que extrapolam limites convencionados. Os quadrúpedes pré-históricos de Mario Merz avançam sobre o prédio, à medida que a textura epidérmica criada por Giuseppe Penone encontra vida através da ação do carvão sobre o feltro e concentra o olhar do espectador que percorre os caminhos curvilíneos do espaço expositivo projetados com maestria por Álvaro Siza. Se estar na Fundação Iberê Camargo já é pensar em desenho, estar nela enquanto acontece Limites Sem Limites é submergir nesta experiência de forma ativa a partir das infinitas possibilidades apresentadas pelos artistas da arte povera.

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