© René Cabrales

DASARTES 07 /

Liba Knijmic

A colecionadora e o marido souberam se antecipar às tendências.

Com uma longa história de amor pela arte, Liba Knijmic mantém o frescor de uma nova colecionadora, sempre interessada em artistas jovens e obras que a surpreendam. Sua coleção é referência no Rio Grande do Sul e foi exposta no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS) em 2001. Além de uma colecionadora de visão, Liba Knijmic é uma estudiosa: para cada artista cujas obras ocupam sua casa e as de seus filhos e netos, ela mantém uma pasta com material de pesquisa, recortes de jornal, biografia e livros, em um exemplo de dedicação que justifica o apreço público por sua coleção.

A última obra que comprei foi…

Um conjunto de quatro telas de Oscar Oiwa.

Meu artista preferido é…

Waltercio Caldas, entre outros. Rubem, meu marido, comprou seis desenhos de Waltercio, também no tempo em que era um artista jovem e pouco conhecido, e eu continuei comprando.

Como começou sua coleção?

O dono da coleção na verdade é meu esposo, falecido há 31 anos. Rubem era médico e, no prédio onde tinha consultório, moravam alguns artistas. Rubem se interessou e comprou algumas obras. Um dia, recebeu um paciente marchand, Thomas Cohn, e perguntou a ele o que achava de sua coleção. Ele respondeu: “Não é uma coleção. São obras de arte avulsas”. E assim, pela orientação de Thomas Cohn, foram introduzidos artistas de fora do Rio Grande do Sul e crescendo a paixão de Rubem pela arte. Thomas Cohn permaneceu um grande amigo e é o mentor desta coleção. Ainda temos muitos artistas do Rio Grande do Sul: Xico Stockinger, Tenius, Avatar Moraes, entre outros.

Vemos que sua coleção é atual. A Sra. continua renovando-a?

Sim, esta coleção sempre muda. Depois que Rubem faleceu, passei a estudar mais intensamente e conhecer melhor cada artista. Há trinta anos, claro que os artistas da coleção eram menos conhecidos. Cildo Meireles, por exemplo, não era esta estrela que é hoje; e nem Antonio Dias: visitamos uma galeria em Paris que tinha obras suas e Rubem ficou encantado. Era um artista jovem, na época estava voltando do oriente e havia trazido alguns materiais típicos desta região, mas acabamos comprando outra obra. Uma das obras compradas nos últimos anos foi a pintura de Dudi Maia Rosa. Recentemente, li no jornal uma crítica que o tinha como “um dos expoentes da Geração 80”. Fico contente, claro.

Como aconteceu a ideia para a exposição no MARGS?

Quando Olivio Dutra foi eleito, fiquei contente e quis disponibilizar a minha pequena coleção para uma mostra. Aconteceu aí até algo curioso: depois de firmada e agendada a exposição, recebi do Guggenheim de Nova Iorque um pedido de empréstimo do Bicho de Lygia Clark. Tive que declinar, pois ele já estava prometido para a exposição do MARGS. Claro que houve outras considerações, afinal, as peças não ganham saúde quando viajam, diferente das pessoas (risos). A exposição do MARGS foi algo que me obrigou a reorganizar e reestruturar minha coleção, e me deu satisfação.

Por sua organização, parece que a Sra. não é apenas uma colecionadora de obras de arte, mas uma colecionadora de artistas, interessada em guardar tudo sobre os que lhe interessam.

Sou uma pessoa estudiosa, não compro algo apenas porque gostei. Eu me preparo para a peça, busco saber mais sobre o artista, saber se é alguém sério. Um dos critérios é a inovação. Se já vi algo parecido, não me interessa. Se vejo algo diferente, que nunca vi e que me faz pensar, então busco saber mais e penso em adquirir. Foi o caso do Krajcberg. Ele foi um ecologista antes da preocupação com a natureza estar na moda.

A Sra. fala muito da orientação de Thomas Cohn. Julga que sem ele sua coleção seria diferente?

Certamente. Este Tunga em feltro é um exemplo: Rubem havia encomendado dois pequenos Tungas com Thomas Cohn e ele me aconselhou a ficar com apenas um, maior. Hoje, esta é uma obra importante e me alegro por este conselho. Tunga é um artista que não se repete, ele vai adiante.

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