© Leo Ayres

As criações artísticas do carioca Leo Ayres são marcadas pela ousadia e experimentação formal – e o conceito de intimidade costura sua trajetória no tempo. Sua primeira individual, no Espaço Cultural Furnas, em 2008, nasceu sob o signo da irreverência. Leo se inscreveu para um Salão de Arte da Academia Militar das Agulhas Negras, aberto ao público em geral. Seu trabalho reproduzia as formas e as cores das roupas de camuflagem usadas por soldados, mas figuras de veadinhos eram os verdadeiros elementos estruturais das imagens. Leo foi selecionado, exposto e premiado.; Leo documentou o processo, batizou o projeto como Operação Camuflagem e expôs em Furnas os detalhes de sua bem sucedida infiltração no universo militar. A intimidade com os artistas militares foi caçada e vivenciada sob o signo do disfarce.

Em outra exposição, Como eu, realizada em 2011, na Galeria Oscar Cruz (SP), Leo expôs fotomontagens de corpos masculinos recortados e entrelaçados, em clara alusão ao homossexualismo. A mostra foi inspirada no mito grego do caçador Acteon, que flagrou a casta deusa Diana tomando banho no esplendor de sua nudez. Para castigar o espião, Diana o transformou em um veado, que terminou devorado pelos próprios cães de caça. Como nos ensina o psicólogo Paul Diel, todo caçador é uma figuração do desejo intenso, descontrolado, que, por ser desarmônico, é punido. A intimidade revelada nos corpos nus teve como matérias-primas pulsantes o desejo, o êxtase sensual e afetivo, calcado no escândalo da solidão.

O trabalho seguinte foi o vídeo Discoteca de Mão: Leo filmou um amigo segurando um pequeno globo espelhado enquanto outro brincava com uma lanterna. O vídeo deu origem a uma exposição na Galeria Cosmocopa Contemporânea, em 2011. Assim o artista transformou intimidade em prazer lúdico e vice-versa.

Convidado para expor em Fortaleza, no Centro Cultural Banco do Nordeste, Leo o artista ampliou o conceito das obras anteriores. Fez um mapa da capital cearense com pontos luminosos, perfurando um papel preto e também usou elementos arquitetônicos como o Farol Farol de Mucuripe e a cúpula do planetário da cidade. A mostra intitulou-se Deixe as luzes acesas e a imagem reproduzida nesta página é uma vista panorâmica da exposição. No chão, Leo dispôs “”tacos”” de espelho, formando uma onda no chão. Cada “”taco”” é como um pixel que cria novos desenhos. Ao fundo, o Farol acende e apaga sua lâmpada, sobre uma pilha de areia. Os mapas iluminados de Fortaleza e do Rio de Janeiro emergem ao lado de desenhos feitos sobre papel preto, transformados numa instalação de parede. A intimidade agora é perfurante, trazido trazida às revelações das luzes acesas, signos plásticos da consciência humana e também da intimidade exposta.

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