José Damasceno, artista com reconhecimento internacional

Como você vê a receptividade internacional da arte brasileira hoje?

Podemos pensar sobre vários elementos. Sem Dúvida existe uma circulação maior da produção de artistas brasileiros hoje em dia sim , contudo vale ressaltar , o que contem essa pergunta. Receptividade ? o que quer dizer ? De quem ? Arte brasileira ? me interessa enormemente pensar o Brasil e todos os fatores, muitas vezes conflituosos e contraditórios, implicados nas circunstâncias que nos formam e que compreendem uma série extensa de situações extremamente densa e rica. Penso que a partir dessa reflexão se podem obter pontos de vista singulares e interessantes sobre aspectos do pensamento e da arte. Me interessa esse enigma chamado Brasil. Me interessa ao mesmo tempo autonomia no sentido de pensar arte sem nenhum modelo apriorístico. Os elementos que nos constituem, imagino, me acompanham e penso que podem contribuir em se produzir um olhar incomum talvez.

Não me preocupo num primeiro momento com o que você coloca como receptividade, me interessa sim estabelecer relações entre o que proponho e outros lugares e tentar perceber o que ocorre com esses contatos em novas circunstâncias. Não tenho que provar nada para ninguém. Estabeleço meus parâmetros e eles me colocam em prova me parece mas, sempre espero, conduzidos pelas minhas motivações primordiais que elas sim , legitimam essas propostas.

A experiência brasileira é muito rica e bastante atual pois há uma convergência de situações em sua gênese que insisto, podem produzir pontos de vista muito peculiares e interessantes.

Que diferença você nota em relação ao momento inicial de sua trajetória? O quê mudou e o que permanece o mesmo?

Existe hoje um trânsito internacional mais acentuado do que antes em inúmeros contextos. O mundo se encontra num processo vertiginoso de mudanças e novas relações numa escala nunca antes vista. O momento em que começo `a consolidar minhas propostas coincide com esse tempo. Tenho uma trajetória de 20 anos dedicados a pensar arte, grande parte dessas pesquisas tem ocorrido fora do Brasil e já possuem uma história, uma sequência ao longo do tempo. Há uma série de acontecimentos implicados, uma certa vibração e freqüência particulares desse lugar de onde venho e com as circunstâncias que me formaram presentes nesses trabalhos. O que mudou ? Me encontro em um fluxo de coisas que se passam todo o tempo, uma série de trabalhos, escolhas e apostas realizadas, elas configuram um campo pelo qual me desloco e onde pretendo exercitar e aumentar minha atenção.

Fale um pouco sobre suas obras e exposições nas principais instituições internacionais.

Como dizia antes já se nota uma trajetória no sentido de vários projetos realizados e em curso. Minha primeira experiência de trabalho fora do Brasil ocorreu em1995 em Paris numa exposição da UNESCO onde apresentei a peça Solilóquio e desde então tenho trabalhado regularmente minhas pesquisas em vários países diferentes. Bienal de Pontevedra na Espanha em 2000, Observation Plan no MCA de Chicago, EUA, em 2004, L’esperienza dell’Arte 51 bienal de Veneza , Itália em 2005, Viagem `a Lua no pavilhão de Veneza em 2007. Coordenadas y Apariciones, no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia , Madrid, Espanha em 2008 para citar alguns. São caminhos que estão sendo percorridos e me levam `a novos lugares e com isso espero, poder conhecer e aprender um pouco mais.

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