© Jorge Soledar

DASARTES 36 /

Jorge Soledar

Garimpo – Jorge Soledar por Elisa Maia

Atravessamento, do gaúcho radicado no Rio de Janeiro Jorge Soledar, foi uma das obras criadas para a sua individual Como me tornei insensível, que ocorreu na galeria Ibeu, em 2013. Neste trabalho, que o artista chama de uma “escultura viva” – uma referência à scultura vivente do italiano Piero Manzoni – um bloco comprido de gesso atravessa o espaço expositivo, imobilizando as pernas de uma pessoa que permanece inerte, deitada sobre o chão, por cerca de quatro horas. O resultado é uma obra que se situa nos intervalos entre instalação e performance, escultura e fotografia.

Na proposta de Jorge, o corpo humano é tomado não por sua dimensão performática, mas por sua materialidade, enquanto um objeto ou uma peça que compõe a estrutura do trabalho. Fundido ao gesso, o corpo se torna escultura, e também imagem, pois as duas linhas perpendiculares traçam um desenho cruciforme no chão do espaço da galeria. Para o artista, a ação congelada produz uma “imagem dura”, uma espécie de “fotografia sem câmera”. Nesse sentido, ele afirma que lhe interessa “experimentar o próprio engessamento da ação diante de mim e de você, no espaço de vida. E, desse modo, fixando o ato como espécie de imagem dura, é possível questionarmos seu estatuto entre escultura e fotografia, entre performance e instalação.” Esse hibridismo constitui uma característica importante de sua obra, que parece movida justamente por esse impulso de cruzar as fronteiras que separam essas linguagens, explorando os interstícios entre diferentes categorias artísticas.

Ao final da exposição, com o auxílio de martelo e formão, à moda da tradição clássica, Jorge “liberta” a pessoa presa ao bloco, o que constitui um alívio para ela, obviamente, mas também para o espectador, que não consegue ficar insensível à imobilidade imposta àquele corpo. Com esse gesto, a escultura se torna performance e o corpo humano abandona a condição de objeto para voltar a ser sujeito, não mais aprisionado, submetido à contenção física da estrutura de gesso, mas, agora livre, exceto pelo registro fotográfico que, tornando-o imagem, prolongará sua existência enquanto objeto.

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