Em um retângulo de fundo preto são pintados três pontos com tinta branca que escorrem com a gravidade. O resultado é a sensação óptica de uma tela furada em que o branco da parede atravessa a superfície. Três Desejos e Ela é obra de Jimson Vilela, Bacharel em Artes Visuais pela UERJ, em diálogo com seu trabalho voltado para as possibilidades do cruzamento entre texto e imagem.

Em uma frente, Jimson cria livros que extrapolam seu limite verbal e avançam sobre o campo pictórico; em outra, materializa esta situação limítrofe da linguagem em uma tela de grande escala (146 x 257 cm). De um lado, a interação pessoal e minimalista do livro com seu observador/leitor; do outro, o embate da tela, imponente, com o público e a arquitetura. O elemento comum: a linguagem textual e pictórica. “O livro está no centro de tudo. Uma pintura, uma instalação, uma performance são os meios que estou usando para reverberar”, aponta o artista Jimson Vilela.

Os três pontos remetem ao imaginário textual da reticência que ocupa um espaço que se manifesta pela ausência. No campo pictórico, remetem ao pontilhismo, movimento artístico que tem em Seurat um de seus precursores e principais símbolos e que inclui o ponto no repertório da pintura. O pontilhismo pôs em destaque o fenômeno óptico: o espectador que se aproxima da tela perde a referência da imagem e, ao se distanciar, tem a visão do todo. Em Três Desejos e Ela a representação está contida nos “três pontinhos” como repertório da história textual e pictórica. “Não estou interessado na representação de um objeto do mundo, mas no que desejo dizer em consenso com a mídia escolhida.”, diz Jimson.

Para conhecer melhor o trabalho do artista: http://www.dumaresq.com.br/ http://www.progettirio.com/ (Rio de Janeiro)

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