© Ivan Padovani

Por Elisa Maia

Campo Cego é o projeto fotográfico que vem sendo desenvolvido desde 2010, por Ivan Padovani, na cidade de São Paulo. Ele é composto por “um inventário de fachadas cegas”, imagens de paredes laterais dos prédios, as empenas, que muitas vezes servem de suporte para anúncios publicitários. Por meio de um procedimento rigoroso e um recorte que foca não nas sacadas frontais, mas nos espaços vazios e escondidos dos edifícios, Ivan produz imagens que introduzem silêncio e delicadeza na paisagem saturada de metrópole.

Em Campo Cego, o enquadramento frontal das construções ignora o horizonte e o entorno dos prédios – “esse procedimento era importante para que o olhar não fluísse pelas bordas da imagem. Pelo contrário, a intenção nesse caso é provocar o confrontamento com essa parede, fazendo com que o olhar explore a concretude e a transparência dessa superfície”, conta Ivan. Livres de perspectiva e profundidade, suas paisagens se apresentam inicialmente em uma condição quase geométrica. Contudo, as formas retangulares em tons de branco e cinza revelam indícios de que se trata de edifícios, “elementos primordiais”, que marcam uma presença ostensiva nas cidades. Rachaduras, antenas de televisão, janelas, grades, escadas e caixas de ar-condicionado sensibilizam os planos, reconstruindo o contexto que é, em um primeiro momento, eliminado pelo processo.

À carga visual excessiva que caracteriza a metrópole, Ivan contrapõe imagens que pedem tempo e atenção, que instauram pausas e estabelecem “um respiro visual em meio à complexidade”. Suas fotografias, cuja estética se confunde com a do desenho ou da colagem, propõem ao observador “um olhar mais atento sobre a cidade, independente do caos, das sobreposições, da velocidade, da imponência”. Assim, junta-se às iniciativas que buscam desacelerar o olhar contemporâneo, sempre em trânsito e muitas vezes “anestesiado” pela avalanche informativa que compõe esse espaço.

 

 

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