Incêndio no acervo Oiticica: 70% das obras estão salvas

© Cortesia – Coleção MAM-SP

Dois meses após o incêndio na reserva técnica da casa do irmão do pintor, escultor e artista conceitual Hélio Oiticica, em outubro, que teria destruído 90% das obras do artista genial e gerado um prejuízo imaterial irreparável para a cultura brasileira, uma notícia positiva: mais de 70% das obras estão salvas. A informação foi dada em uma entrevista coletiva, no dia 30 de outubro, pelo secretário executivo do Ministério da Cultura (MinC), Alfredo Manevy. No dia seguinte ao acidente, técnicos do Instituto Brasileiro de Museus, órgão ligado ao MinC, já trabalhavam para a recuperação das obras.

Segundo informações do site do MinC, cerca de 210 itens foram salvos, incluindo a totalidade dos Metaesquemas (246 desenhos) e dos trabalhos do Grupo Frente (139 trabalhos). Quatro Bólides foram recuperados e outros poderão ser restaurados. Quanto aos Parangolés, apenas cinco, que estavam expostos (no MAM do Rio de Janeiro e no MoMA, em Nova Iorque), estão salvos e deverão ser replicados.

O incêndio aconteceu na noite de 16 de outubro, na casa do irmão do artista, o arquiteto Cesar Oiticica, no bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A causa teria sido um curto-circuito em um desumidificador. Em abril, os herdeiros do artista interromperam uma exposição no Centro Municipal Hélio Oiticica e retiraram de lá o acervo do artista por questões de divergência com a Prefeitura do Rio de Janeiro. Desde então, 90% da totalidade da obra de Hélio Oiticica estava sendo mantida na residência da família, em condições elogiadas por técnicos e pelo secretário de políticas culturais, José Luiz Herencia, que afirmou ser “um exemplo de conservação, muito próximo do ideal”.

O prejuízo material estimado à época por Cesar Oiticica, caso todas as obras tivessem realmente se perdido, teria sido de US$ 200 milhões.

A recuperação das obras de Hélio Oiticica está sendo realizada graças à colaboração de vários museus, como o Museu Nacional de Belas Artes e o Museu da República, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e a Escola de Belas Artes da UFRJ.

Artista de vanguarda nos anos 1960 e 1970, Hélio Oiticica participou do movimento neoconcretista, liderado por Ivan Serpa, e foi inspirador da Tropicália, em 1968. É um dos brasileiros considerados de maior renome internacional nas artes plásticas, com obras expostas em Londres e Nova Iorque.

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