© The StateHermitageMusuem. Vladimir Terebin, Leonard Kheifets, Yuri Molodkovets.

DASARTES 25 /

Hermitage

A centenária instituição russa e seu acervo de raridades.

A primeira visita a um museu é sempre cercada de infinitos mistérios. Não se sabe quantas salas conseguiremos visitar e, no Hermitage, são mais de 300. Além das famosas obras-primas, quantas surpresas encontrar-se-ão? Haverá tempo suficiente para conhecer tudo? Em tempos de internet, inúmeras informações podem ser encontradas no site do museu, inclusive um bônus: uma visita virtual!

O Hermitage tem sua construção iniciada em 1754 e a primeira compra foi adquirida do colecionador Johann Ernest Gotzkowski pela Imperatriz Catarina II em 1764, na época com 33 anos.

Considerado pelo The Art Newspaper, de abril de 2012, o 12.º Museu mais visitado do mundo, com 2,8 milhões de pessoas (segundo a mesma publicação, o CCBB-RJ recebeu 2,2 milhões), o museu possui uma coleção com quase três milhões de peças, começando pela pré-história, com itens de mais de 20 mil anos, até os tempos atuais. É um verdadeiro prazer encontrar as produções do homem durante tantos séculos, incluindo arte egípcia, grega, romana e oriental. Na seção de numismática, estão expostas também as primeiras moedas utilizadas pelo homem.

Para os apaixonados pela pintura, é possível percorrer as escolas italiana, francesa, holandesa, belga, espanhola, alemã, inglesa e a anfitriã russa. Começo pela Rússia, com os ícones dos séculos 18 e 19. Uma oportunidade ímpar para conhecer pintores russos tais como: Simon Ushakov (1626-1686), Karl Bryullov (1799-1852), com o seu enorme Último dia de Pompeia (1827), que, segundo sir Walter Scott, era “um épico em cores”. E, para quem adora uma boa conversa, encontramos Matisse se autorretratando com sua Amélia (ele também tinha uma) em Conversation. Que azul belíssimo!

Impossível não se surpreender ao encontrar em uma sala oito tizianos e poder admirar com calma a versão de Danae (circa 1553-1556) no Hermitage. As outras se encontram no Museu do Prado, Kunsthistorisches Museum, Uffizi e Museu Capodimonte. A próxima sala traz dois óleos de Leonardo Da Vinci – a Benois Madonna, pintada em 1480, quando o gênio tinha 28 anos, e a Madonna Litta , esta de 1490. Aqui cabe lembrar que existem 12 quadros finalizados e reconhecidos deste pintor e aqui estão dois, sem a fila e aglomeração que faz quase ser impossível admirar um quadro. Qualidade extraordinária a favor do Hermitage.

No caminho ainda há grandes nomes da história da arte como Tintoretto, Veronese, Carracci, Caravaggio, entre outros. Entre os franceses, Poussin, Chardin, Fragonard, assim também como os grandes mestres do impressionismo.

Um dos ambientes mais primorosos traz 22 quadros desse belíssimo pintor flamengo conhecido como Rubens. Equando já estamos extraordinariamente satisfeitos, deparamo-nos com mais de 20 quadros do genial Rembrandt, com destaque para a obra de seu último ano de vida, O retorno do filho pródigo, um tema bíblico e sempre profano.

Homenageando o meu amigo Gonçalo Ivo, lembro-me dos pintores espanhóis, iniciando por El Greco (1541-1614) com o quadro St. Peter and St. Paul. Há também outros representantes da arte espanhola como Jose de Ribera, Francisco de Zurbaran y Salazar, Diego Velásquez, Murillo, Goya e o genial Picasso, representado aqui pelas Três mulheres.

Dois dias para realizar uma visita inesquecível, com forte desejo que não se limita a apenas uma. Com tempo, melhor educado e com mais recursos, fica já a vontade de retornar, até porque, para os brasileiros, não é necessário visto de entrada na Rússia, novidades desse mundo dos BRICS.

Por último, um agradecimento muito especial às inúmeras senhoras que estão em todas as salas, que mesmo falando em russo fizeram me sentir extremamente feliz pois conseguiram lembrar minha querida avó, Judith Alkaim Ottino, a quem dedico este texto!

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