© Marcelo Tourinho

Além de sua própria coleção particular, formada afetivamente e que está dividida entre Bahia e São Paulo, Heitor Reis esteve e está em frente de diversas coleções institucionais. Não sabendo definir um artista ou suporte predileto, Heitor conversou com Dasartes sobre seu conjunto de obras e colecionismo de forma geral.

 

Como surgiu seu interesse por colecionar arte e quais foram suas primeiras aquisições?

Sou Museólogo de formação acadêmica e desde sempre me interessei pelas questões culturais, principalmente pelos museus e coleções das mais diversas. Iniciei minha coleção basicamente com artistas baianos, todos amigos com quem convivi bastante e que foram referências importantes. Mario Cravo, Sante Scaldaferri, Rubem Valentim, Caribé, Carlos Bastos, Mario Cravo Neto, Chico Liberato, Fernando Coelho, Leonel Matos e Calazans Neto são alguns dos muitos artistas que ocupam as paredes da minha casa em Salvador.

 

Há algum conceito específico por trás de sua coleção ou compra as obras por razões afetivas?

As coleções pessoais são formadas inicialmente por razões afetivas. A minha privada é composta das obras que gosto e me emocionam sem me preocupar com influências do mercado. Gosto de arte contemporânea, do barroco brasileiro, da arte popular… Sou eclético no meu gosto estético!

 

Estar à frente do MAM Bahia influenciou de alguma forma na sua coleção privada?

Todas as minhas ações na vida influenciaram meu olhar para a arte, mas com certeza o MAM e outros museus que dirigi influenciaram bastante não só na minha coleção privada, como nas públicas que ajudei a formar ao longo da vida. A própria Bahia que me deu todas as réguas e compassos culturais que precisava.

 

Seu envolvimento com a arte ultrapassa o simples colecionismo: além de diretor do MAM BA, você já foi presidente do Conselho Federal de Museologia, pró reitor de Arte e Cultura da FIB-Estácio. O colecionismo levou a este envolvimento ou foi o caminho inverso?

O colecionismo é uma consequência. Eu me considero mais um acumulador de obras afetivas do que um colecionador. Tudo que tenho de alguma forma faz ou fez parte de momentos da minha vida. Continuo adquirindo de acordo com minhas emoções do momento.

 

Quais são as aquisições mais recentes e planos para futuras compras?

Sou um pouco conservador e não tenho adquirido muita coisa para mim. Estou inteiramente focado na montagem da coleção BGA-Brazil Golden Art, fundo de investimento que sou sócio e gestor, e que vem a ser o primeiro da América Latina com foco em arte. Já estamos com 630 obras nas mais diversas linguagens que compõem um extraordinário panorama da arte brasileira dos últimos anos.

 

A partir de sua atuação na coleção BGA, como pensa a arte enquanto investimento financeiro?

A arte é uma excelente alternativa para diversificação de investimento e, pelo histórico dos últimos anos, tem se valorizado mais que qualquer outro ativo tradicional do mercado.

 

Alguma dica para novos colecionadores?

Procurem ver e ler o máximo que puderem sobre o tema. Hoje estamos num mundo globalizado e é muito fácil acompanhar tudo que está sendo produzido em todos os lugares, sem contar que nas grandes capitais brasileiras o circuito é muito intenso, proporcionando a todos democraticamente o conhecimento necessário para iniciar uma coleção.

 

Você guarda, vende ou troca suas obras?

As minhas obras pessoais não vendo nem troco! Como falei antes, sou um acumulador de memórias afetivas e não consigo me desfazer nem da minha coleção de selos da infância.

 

Então você se considera um colecionador impulsivo?

Quando se trata da minha coleção particular, sou impulsivo, sim. Mas nas das instituições ou do Fundo sou totalmente criterioso.

 

Qual sua obra de arte dos sonhos?

Aquela que ainda vai surgir, pois tenho certeza que aparecerá algo novo no mundo que revolucionará a estética mais uma vez, como sempre aconteceu na história da humanidade desde sua gênese. Espero que seja no Brasil e que eu esteja por perto para comprar antes dos colecionadores Gilberto Chateaubriand e José Olimphio (risos), duas grandes referências do colecionismo brasileiro.

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