© Mayara Mendes

DASARTES 23 /

Guilherme Teixeira

Belo Horizonte é uma cidade com grandes números de coleções privadas. A de Guilherme Teixeira é uma delas, com várias peças e artistas icônicos da arte atual.

Fora do circuito Rio-São Paulo, Belo Horizonte talvez seja a cidade com o maior número de grandes coleções privadas. A de Guilherme Teixeira é uma delas, com várias peças e artistas icônicos da arte atual. Criado em um ambiente rico em arte – em uma casa projetada por Zanine e em meio às pinturas de seu pai, que gostava de Iberê Camargo e Guignard –, o desejo de colecionar surgiu tarde, apesar de suas primeiras compras datarem de mais de 20 anos. Hoje, vive intensamente o mundo da arte e a paixão pela contemporaneidade e isso se reflete em sua coleção.

A primeira obra que comprei foi…

Um quadro da Tomie Ohtake, há uns 20 anos.

E escolhi essa obra por…

Influência de uma amiga marchande. Na época, comprei mais três trabalhos de Ianelli e Volpi e parei por aí. Só voltei meu olhar para o mercado de arte novamente há uns seis anos, quando adquiri uma obra do Cícero Dias e outra, contemporânea, da Chiara Banfi.

E a última obra que comprei…

Foi um trabalho do artista inglês Antony Gormley, que há pouco tempo fez grande exposição em São Paulo.

Seu gosto parece ter mudado bastante.

Com certeza. Naqueles primeiros trabalhos que comprei, houve até mesmo um pensamento em decoração, não havia a ideia de colecionar. Quando decidi colecionar, comecei a visitar galerias e exposições, a pesquisar os artistas, começando pelos modernistas mais conhecidos como Di Cavalcanti, Portinari e, mesmo, a Tomie Ohtake. Cheguei a comprar um Cícero Dias, mas logo direcionei meu foco para a arte contemporânea. A inauguração de Inhotim contribuiu muito para despertar meu interesse pela arte contemporânea.

Como escolhe as obras que compra?

Estou constantemente ligado no mercado de arte, no Brasil e no exterior. Não tenho um método; oriento-me pelo conhecimento, mas me guio muito pela intuição e gosto pessoal. A convivência e a troca de ideias com outros colecionadores também influenciam. Tenho uma predileção pelas obras concretistas, sem figuração, quem sabe por ser engenheiro.

Você se considera um colecionador apaixonado ou um investidor?

É um somatório. Certamente, a paixão é um ingrediente importante, mas é difícil não pensar nos valores. Não compro sem estudar a carreira, a vida do artista, suas perspectivas e sem analisar se o preço é compatível.

A última obra que você comprou foi de um artista inglês. É cada vez mais comum vermos colecionadores brasileiros comprando obras de artistas de fora. O que tem achado dos preços da arte brasileira?

Acho que a arte brasileira está muito cara, sem querer desvalorizá-la. Hoje um colecionador pode comprar, lá fora, trabalhos de artistas estrangeiros com carreira sólida, com reconhecimento e mercado internacional, pelo mesmo preço de um artista brasileiro com carreira menos significativa e mercado restrito ao Brasil. Eu mesmo já fiz essa opção, algumas vezes. Aqui temos alguns exemplos de artistas com carreira incipiente, com preços altos e fila de espera. Não há explicação para isso.

Gormley é o primeiro estrangeiro da sua coleção?

Apesar de minha coleção estar focada em artistas brasileiros, tenho obras da palestina Mona Hatoum, do dinamarquês Olafur Eliasson, do argentino Jorge Macchi e outros. Infelizmente, os impostos para trazer obras de arte estrangeiras para o Brasil são altíssimos. Se não fossem, minha coleção teria obras de artistas de vários outros países.

Dentro da sua coleção, qual sua obra preferida?

Atualmente é a Língua com Padrão Sinuoso, da Adriana Varejão, que será emprestada para a exposição do MAM SP e Rio.

E, em geral, qual seu artista predileto?

Difícil escolher um só. Gosto de Lygia Clark, Adriana Varejão…

Você compra novas mídias: vídeos, instalações, performances?

Nunca consegui me interessar por vídeo. Tenho uma obra do Damasceno, feita com milhares de peças de giz, que poder ser considerada uma instalação. Para “instalá-la” na minha casa, tive que fazer uma minirreforma, construir vigas e uma caixa de mais de quatro metros de largura. Depois, uma equipe de três pessoas trabalhou durante seis dias na montagem. O Damasceno veio a BH para fazer a entrega da obra e não gostou do que viu. Tudo foi desmontado e então a nova montagem ficou um espetáculo. Deve pesar uns 700 quilos.

Tem algum sonho de consumo não realizado?

Vários. Gosto muito dos concretos e neoconcretos. Gostaria de ter uma obra de Willys de Castro, por exemplo.

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