© Guilherme Cunha

Atmosfera artificial (2013), de Guilherme Cunha, integra a mostra Diálogos imaginários, individual do artista que esteve em exposição este ano, no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia de Belo Horizonte. Para essa instalação, Guilherme usou 24 cilindros de um gás respirável, purificado e engarrafado industrialmente, chamado de “ar medicinal” devido às altas taxas de oxigênio presentes na composição. Os cilindros, geralmente utilizados na recuperação de pacientes hospitalizados, ficaram abertos ao longo de um mês, criando uma espécie de oásis para os visitantes que circulavam em meio à atmosfera poluída da cidade. O artista conta que a ideia surgiu a partir de uma pesquisa sobre os processos cognitivos e de um desejo de desmaterialização da obra – “Como fazer algo que existisse apenas em sua carga poética e potência experimental, sem estar refém dos suportes materiais ou das narrativas textuais?”. O trabalho foi pensado, então, como uma “escultura de ar”, “insípida, inodora e incolor”, capaz de se tornar “parte integrante da constituição atômico-molecular” dos espectadores que a consumiram.

Embora as pesquisas de Guilherme privilegiem uma abordagem da arte enquanto processo criativo, e não enquanto objeto, a valorização das ideias não ocorre às custas da dimensão sensível da obra. Suas instalações enfatizam não apenas a presença do corpo dos visitantes, mas também os aspectos sensuais envolvidos na experiência estética que, no caso de Atmosfera artificial, torna-se também uma experiência terapêutica. Investigando os trajetos entre as dimensões sensória e cognitiva, seu trabalho explora e desafia o dualismo entre o sensível e o inteligível – “a capacidade de se produzir conhecimento sobre algo percebido é um dos pontos centrais dessa reflexão”. Para pensar essa relação entre as percepções sensoriais e a produção de conhecimento, Guilherme amplia seu foco de interesse para contemplar diferentes campos da produção intelectual – “transito bastante entre o vídeo, a medicina, a engenharia sonora e acústica, o desenho, a escultura e os estudos de óptica na física.” Para saber mais, acesse www.guilhermecunha.fif.art.br.

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