Na capital paulista, os grafiteiros dividem-se em grupos por afinidades. O de maior relevância nasceu com a união entre integrantes da velha escola e novos talentos. Este grupo reúne nomes atuais como Nunca – com obras na atual exposição da Fundação Cartier, em Paris, sobre a arte de rua brasileira –, Ise, Coyo e Osgemeos, presentes na cena do graffiti desde os anos 1980 e que continuam pintando pelas ruas “como uma forma de conversar com a cidade, filtrando suas informações e devolvendo-as de forma criativa”, afirmam. No grupo de artistas mais novos na cena de arte de rua, aparecem pseudônimos como Finok e Zefix – ambos com desenhos no mural feito na alça de acesso à Av. 23 de Maio – e Toes. O trio desenha seus “nomes” com cores, letras simétricas e personagens divertidos, por meio de um estilo extremamente singular.

Por toda a parte, vê-se a influência da linguagem construída pelos grafiteiros atuais. É o caso dos murais de Ema, Marinho e do grupo Fleshbeck Crew, os mais presentes nos muros e viadutos cariocas. Alguns personagens de Toz, do Fleshbeck, como o bebê idoso e o polvo, já são familiares aos moradores da Zona Sul e fazem parte da paisagem. Outros, como Style e Ipek, seguem a essência dessa arte urbana pintando ilegalmente seus trabalhos em trens, metrôs e outros locais proibidos do Rio. Em Belo Horizonte, nomes como Dalata e Dninja representaram a região na primeira Bienal de Graffiti da cidade. Na região Sul, o artista Trampo decorou os vagões da Trensurb com seus trabalhos elaborados, que continuam pelas paredes de cidades como Porto Alegre, assim como os da dupla Imediato Crew e de Driin pelas ruas de Florianópolis. Alguns artistas fogem desta linha, como o pernambucano Derlon Almeida, que trouxe para suas intervenções a linguagem do cordel, e Orion, que produz uma arte “mista”: pinturas feitas em muro que revelam seu humor quando fotografadas em interação com os transeuntes.

Os estrangeiros também buscam as capitais brasileiras como meio de expressão artística e críticas com viés político. Um exemplo disso foi a obra do artista francês JR, integrante do coletivo Faile, na Favela do Morro da Providência, a mais antiga do Rio de Janeiro. Durante um mês, JR viveu no local para elaborar uma intervenção em homenagem aos moradores do local “com o mesmo improviso visto na organização da comunidade”, conta. No trabalho A Favela Diretamente nos Olhos, o artista parisiense instalou imagens inspiradas em mulheres que perderam seus parceiros na guerra do tráfico e pela violência policial.

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