Nova Iorque, 15 de novembro de 2012 Duas semanas após a passagem do furacão Sandy por Nova Iorque, as galerias em Chelsea continuam enfrentando grandes dificuldades. Sem telefone e internet, muitas ainda calculam o total dos estragos causados – não só em obras de arte perdidas, mas em infraestrutura e equipamentos danificados. A maioria das galerias possui seguro para obras de arte, mas não para o espaço físico. Sem falar em todos os dias de vendas perdidas, nas aberturas de exposições adiadas, e na escassez da clientela. Galeristas esperam que tudo deve se normalizar em meados de dezembro, quando já terá passado a temporada mais lucrativa do ano, que acontece logo após o fim do verão. É nessa época que os compradores decidem em quais artistas investirão.

Para se ter uma ideia da magnitude do problema, basta imaginar que a água do rio Hudson cobriu quase todas as galerias no nível da rua com pelo menos 1,2 metros de água, e todos os subsolos foram completamente inundados. Pinturas, esculturas, móveis, computadores, livros e arquivos flutuavam nesse cenário devastador. A perda em material histórico é irreparável.

Instituições e indivíduos vieram ao resgate, demonstrando grande solidariedade nesse momento. Especialistas em restauração e conservação de obras de arte visitaram galeria após galeria, oferecendo ajuda para salvar o possível. O Museum of Modern Art (MoMA) organizou duas palestras sobre conservação pós-desastre, em parceria com o American Institute for Conservation (AIC), e o auditório ficou lotado em ambas as sessões. Além disso, a Art Dealers Association of America (ADAA) lançou uma iniciativa na qual galerias localizadas na zona A, a zona mais vulnerável ao furacão, podem solicitar empréstimos ou bolsas para ajudá-las durante esse longo período em que estarão inoperantes.

Enquanto isso, na parte superior de Manhattan, as casas de leilão Sotheby’s e Christie’s venderam ontem e anteontem um total de US$ 787 milhões em arte contemporânea, atingindo recordes e comprovando a força desse mercado.

Compartilhar: