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DASARTES 19 /

Formação de novos quadros para o sistema de arte contemporânea

O assunto foi tema de recente debate no Parque Lage, Rio de Janeiro.

A questão anunciada pelo título deste texto foi o tema de recente debate no Parque Lage, por ocasião do lançamento de três livros, com edição bilíngue, da Coleção Fórum Permanente: Museu arte hoje, organizado por Martin Grossmann e Gilberto Mariotti; Modos de representação da Bienal de São Paulo, de Vinicius Spricigo; e Relatos críticos da 27a Bienal de São Paulo, de Ana Letícia Fialho e Gabriela Kunsch − textos que tiveram sua origem na transmissão on-line dos encontros e debates (http://www.forumpermanente.org/).

Como plataforma de mediação cultural, com intensa atividade há cerca de oito anos, o Fórum Permanente formou-se a partir de vários projetos, entre eles a ideia de um museu da virtualidade que gerou, após debates de diferentes ordens, o Museu do (In)consequente Coletivo (cf. www.eca.usp.br/prof/martin/in_consequente/). As referências que inspiram sua atuação remontam aos museus-laboratórios das décadas de 1960 e 1970, às práticas experimentais, bem como às revisões críticas das metodologias da museologia tradicional. A constituição de profissionais para o meio de arte inscreve-se, assim, no universo de questões que vêm sendo abordadas nos seus seminários e programas de oficinas e se soma à incontestável ampliação de debates, seminários, cursos ou grupos de estudos sobre curadoria, gestão cultural etc, bem como de projetos educativos. Contexto que não está dissociado da expansão do meio de arte em termos mundiais, do mercado editorial do setor, do mercado de arte etc e que, cabe ressaltar, tampouco se restringe, no Brasil, ao eixo Rio-São Paulo, mas abrange diversas regiões. Por outro lado, é cada vez maior a intelectualização do artista, em termos acadêmicos ou não, bem como mais frequente sua transição entre diferentes funções. Se artistas e críticos, nos anos 1970, mobilizaram-se no sentido de criar espaços produtivos para a arte contemporânea, a atenção volta-se, hoje, para as atividades que envolvem, sobretudo, a apresentação do trabalho de arte, em grande parte dispositivo da própria produção, cercada de agentes de várias áreas.

De fato, verificam-se, hoje, diversos níveis de ensino, a começar pelas pesquisas desenvolvidas no âmbito dos programas de pós-graduação, com significativo volume de dissertações e teses sobre a arte no Brasil. Embora essa produção permaneça de certo modo ‘invisível’, esses cursos capacitam profissionais para diversas funções. Em termos históricos, é notória a importância do curso de pós-graduação lato sensu de História da Arte e da Arquitetura no Brasil, na PUC-Rio, implementado, em 1980, pelo artista Carlos Zilio, decisivo, durante anos, para o desenvolvimento de artistas, críticos e curadores.

No contexto atual, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, vem conjugando à formação de artistas a de profissionais do campo da arte, com cursos gratuitos do programa Fundamentação, bem como cursos normais da escola, abrangendo cenografia, design de exposição, iluminação e treinamento de monitores, possibilitando trocas de diversas ordens entre esses estudantes e os artistas.

Esses dados, certamente, indicam cenário algo otimista, que a mediação cultural crítica desenvolvida pelo Fórum Permanente vem corroborar. Não se pode, contudo, esquecer a inconsistência da capacitação de dirigentes de várias instituições brasileiras, ou de seus funcionários, resultante da falta de política coerente e de longo prazo para o setor. Quadro que se reflete, entre outros efeitos, na inexistência de uma política de fomento de coleções públicas que possibilite contato com as obras não apenas internacionais, mas também da produção brasileira; na precariedade das bibliotecas; e na falta de incentivo à pesquisa como elemento operatório das atividades do meio de arte.

 

 

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