Felipe Barbosa - Roda do tempo, 2014

DASARTES 34 /

Felipe Barbosa

Em junho e julho, o Brasil respirará o maior evento mundial de futebol: a Copa. Independentemente de questões políticas ou sociais relacionadas a esse grande evento, não se pode negar que o futebol é uma das grandes paixões do brasileiro. Sendo assim, não é de se estranhar que o esporte acabe se tornando também um tema possível […]

Em junho e julho, o Brasil respirará o maior evento mundial de futebol: a Copa. Independentemente de questões políticas ou sociais relacionadas a esse grande
evento, não se pode negar que o futebol é uma das grandes paixões do brasileiro. Sendo assim, não é de se estranhar que o esporte acabe se tornando também
um tema possível para a produção artística nacional. E é exatamente nesses meses futebolísticos que a Sérgio Gonçalves Galeria, no Rio de Janeiro, apresenta
Quadrado Mágico, primeira exposição individual do artista Felipe Barbosa na galeria.
Conhecido, sobretudo, pela forma como desconstruía e depois recontextualizava a própria bola de futebol e ainda flertando com esse universo, Felipe apresentará na mostra a obra Camisa Brasileira, primeira de uma nova série que une camisas de times distintos, grandes rivais em campo, mas juntos na arte do futebol. A obra já desperta a cobiça dos colecionadores acostumados aos trabalhos em que Felipe costurava bolas de futebol.
Mas a produção do artista não é centrada apenas no esporte. Nos trabalhos da mostra, Felipe cria um diálogo entre jogos matemáticos e a arte, subvertendo o
sentido dos objetos entre formas e signos geométricos, que o inspiraram nas 16 obras apresentadas na galeria. Por suas mãos, fichas de ônibus, flâmulas dos anos
1960 e petecas, entre outros materiais, ganham status de obra de arte a partir de processos de aglomeração.
A estratégia já foi usada por ele em objetos distintos como lápis, canetas, palitos de fósforos e guarda-sóis, que, a partir da aglomeração de suas unidades, convertem-se em novas formas de expressão em que a serialização desses objetos, ditos banais, configura uma nova possibilidade que permeia o fazer industrial e o readymade.

Graduado em pintura pela UFRJ e mestre em Linguagens Visuais pela mesma instituição, Felipe Barbosa expõe regularmente desde o ano 2000 e sua produção já foi vista em importantes instituições e galerias do Brasil e de diversos países ao redor mundo, entre eles México, Estados Unidos, Espanha, Portugal, Croácia, Lituânia, França, Canadá, Holanda, Inglaterra, Argentina e Japão. Apresentada pela Sergio Gonçalves Galeria, que o representa desde dezembro de 2013, a individual do artista ficará em cartaz até o dia 27 de julho.

Felipe Barbosa - Roda do tempo, 2014

Felipe Barbosa – Roda do tempo, 2014

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