© Fabio Szwarcwald

O jovem colecionador comprou suas primeiras obras a menos de sete anos, mas a intensidade no qual mergulhou no colecionismo é evidente para quem entra em sua casa. A arte esta por toda parte, faz parte do estilo de vida do colecionador que consegue combinar obras ultracontemporâneas com esculturas de barro nordestinas com surpreendente harmonia.

As primeiras obras que tive… foram de Daniel Senise, Cabelo, José Bechara e Miguel Rio Branco.

Não tenho mídias preferidas… mas gosto especialmente de pintura, fotografia e escultura.

Quando soube que se tornaria um colecionador?
Eu nunca imaginei, foi por acaso, comprei as primeiras obras quando quis decorar meu apartamento, com a ajuda da galerista Silvia Cintra. Pendurei-os na parede e comecei a gostar da convivência, viraram amigos(risos). Depois de um tempo fui a uma exposição de novos artistas e comprei outros três trabalhos, entre eles um da dupla PaulaGabriela formada pelas artistas Paula Boechat e Gabriela Moraes. Logo depois conheci a Gabriela, que hoje é minha mulher. Com ela comecei a circular no meio dos artistas, curadores, colecionadores e galeristas, um meio com o qual me identifiquei e que me incentivou a continuar. Para mim, colecionar não é só comprar mas também participar deste mundo fascinante.

Você trabalha no Mercado financeiro. É difícil não pensar no colecionismo como forma de investimento?

Para eu comprar um trabalho tenho que me apaixonar por ele, estar envolvido. Tento sempre saber sobre o artista, pensar se o que ele está falando tem a ver comigo. A minha coleção não tem um tema, vou comprando aleatóriamente e quando vejo o conjunto percebo que faz o maior sentido pra mim. O impulso na hora da compra é importante também, tem que ter paixão. Se você só pensa em ganhar dinheiro, pode acabar comprando o que não gosta, e isto não faz sentido, especialmente porque o risco é grande: você nunca sabe se um artista vai estourar ou não. Se for só pelo investimento é melhor aplicar na bolsa.

Há alguns anos, você participou de um projeto com Osgemeos. Como surgiu a idéia?
Os gêmeos são meus amigos e eles tinham um projeto para grafitar os vagões de trens de algumas capitais do Nordeste junto com mais 6 artistas, então me convidaram para ajudar a viabilizar este projeto que se chamou Hole-Train. Eu gosto desta alternativa `a simples compra da arte, de estar envolvido no outro lado, neste projeto fui até o nordeste ver eles grafitando, passei um dia inteiro com eles. É muito bacana ajudar os artistas a realizarem seu sonho.

Como você vê o futuro da sua coleção?

Penso em ter um espaço aonde possa guardar as obras em ambiente adequado, expor minha coleção e receber as pessoas com hora marcada. Esse tipo de iniciativa é muito comum no exterior.

Qual sua obra de arte dos sonhos?

Uma obra de arte marcante pra mim é o triptico de pintura do Luiz Zerbini, me apaixonei por ele numa visita a exposição paralela a Bienal de São Paulo em 2006 e nunca saiu da minha cabeça. Dois anos depois, quando comprei meu apartamento percebi que tinha o lugar perfeito para ele mas a galerista me disse que já tinha sido vendido. Fiquei muito triste. Um mês depois, ela me ligou para contar que a compradora desistira porque não coubera no espaço dela. Foi um dos grande investimentos que já fiz em arte, mas nem hesitei. Era pra ser meu mesmo. Esperei mais de três anos para vê-lo pendurado em minha casa.

Os sonhos não realizados são muitos?
Anish Kapoor, Ernesto Neto, Cindy Sherman, Adriana Varejão…entre outros. Amaria ter uma obra do Bispo do Rosário, tem tudo a ver comigo.

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