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O termo “gambiarra” é comumente utilizado quando, por falta de recursos ou outros meios, surgem soluções rápidas e improvisadas – e quase sempre precárias –, que subvertem a funcionalidade original dos objetos, aplicando-os a novos contextos. Algumas importantes características da ideia de gambiarra são a inventividade e a criatividade, elementos comuns também ao universo da criação artística. Partindo da busca por uma contemplação e apreciação dessas formas – quase ready-mades – que surgem, muitas vezes, a partir da combinação entre o acaso e o famoso “jeitinho brasileiro”, o artista Cao Guimarães coleciona, há anos, fotografias de diversos tipos de gambiarras, que já são vistas por muitos pensadores como parte da cultura brasileira. Algumas dessas imagens podem ser vistas até o dia 1.º de julho, nas Cavalariças do Parque Lage, na exposição Estética da Gambiarra, com curadoria de Felipe Scovino. A exposição, contemplada pelo Edital de Cultura 2011 da Secretaria de Estado de Cultura, apresenta a produção mais recente do artista, que já se consolida como um dos nomes brasileiros de maior êxito no cruzamento entre cinema e artes plásticas. Estão presentes ainda cinco vídeos e fotografias de outras séries, como Paisagens reais, na qual a imagem de prédios de uma cidade se permite ver apenas por relances e fragmentos em meio às nuvens que os tomam. Já considerada a mostra mais consistente sobre a produção do artista mineiro no estado do Rio de Janeiro, em Estética da Gambiarra Cao instiga o espectador a olhar para o detalhe, a não passar de forma indiferente pelas imagens comuns do dia a dia. Contemplando as frestas dos azulejos que se tingem pela chuva, forçando a visão para além da densa camada efêmera das nuvens, vislumbrando possibilidades para muito além da banalidade das formas cotidianas, o espectador percebe novas possibilidades imagético-poéticas que se escondem em meio a bares, casas, situações e na própria rotina das cidades.

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