Entrevista com Jacopo Crivelli, curador da Bienal de Cuenca

Nesta edição 35, Jacopo Crivelli, curador da Bienal de Cuenca, é o nosso entrevistado.

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ENTREVISTA COM JACOPO CRIVELLI, CURADOR DA BIENAL DE
CUENCA

Quais as mudanças que vê na bienal ao longo dos anos?

É uma bienal que está amadurecendo, concretamente nas últimas 3-4 edições ficou muito claro um esforço da instituição no sentido de tornar mais profissionais todos os processos, e deixar uma autonomia maior aos curadores. Com isso, o formato, que antes era de participações organizadas por cada país sem qualquer nexo entre elas, tornou-se agora muito mais coerente, com todos os artistas escolhidos pelo mesmo curador ou grupo de curadores.

 

Quais artistas mais chamaram atenção dos visitantes e porque?

De maneira muito consciente, não fizemos uma bienal que buscasse ser espetacular, com grandes instalações. Apesar disso, algumas obras foram sucessos do primeiro ao último dia. Citaria aqui, por exemplo, a obra interativa de Rivane Neuenschwander, na qual as pessoas são convidadas a escrever num grande mural, e instalação de Manuela Ribadeneira, com mais de 50 instrumentos de navegação, instalada numa das maravilhosas cúpulas do colégio Benigno Malo.

 

Como os artistas convidados se relacionam com a própria América do Sul em suas produções? Poderia citar alguns trabalhos ou características?

A ideia de “América do Sul” em si não estava em pauta de maneira direta, mas várias das obras incluídas na exposição lidavam com a questão da colonização e com a maneira como tradições e culturas ancestrais se fundem com a cultura contemporânea. De maneiras muito distintas, e por isso mesmo complementares, lidaram com isso artistas como Runo Lagomarsino, Sara VanDerBeek e Jorge Satorre, entre outros. A obra que ganhou o grande prêmio da Bienal, da equatoriana Saskia Calderón, também tinha essas questões em seu cerne.

 

Poderia indicar artistas ou obras que mais tenha apreciado nesta edição da bienal?

Diria que o nível geral da exposição foi realmente muito alto, estou muito satisfeito com isso. Se tivesse que nomear algo realmente se sobressaiu, não seria um único artista, mas o conjunto da produção local que conseguimos montar, e que compreendia desde obras históricas como as produzidas por Mauricio Bueno nos anos 1970, até artistas já consagrados Internacionalmente como Manuela Ribadeneira e a dupla Victor Costales e Julia Rometti, até jovens como Saskia Calderón, Adrian Balseca, Juan Pablo Ordóñez e José-Hidalgo Anastácio, que no conjunto formaram, na minha maneira de ver, um grupo extremamente interessante, e de fato chamou bastante a atenção dos visitantes internacional.

Outras matérias estão na edição 35 da Revista Dasartes, já nas bancas.

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