© Sylvia Carolinne

Como começou sua carreira e como ela foi se desenvolvendo?

A arte vem, desde a infância, como um aspecto importante para eu entender melhor as coisas. Quando chegou a hora de definir uma formação específica, dirigi-me para as artes plásticas e cursei Belas Artes. Senti falta de um aprofundamento teórico e comecei a estudar filosofia. Participei de vários grupos e ações artísticas que surgiram.

Como funciona seu processo criativo? Como começa a pensar um trabalho?

Fico absorvida por alguma questão ou objeto, no sentido de capturá-lo, manipulando-o e elaborando-o. Não fico apenas no ateliê, faço questão de me movimentar e agregar conhecimentos, outros saberes como os da indústria e da marcenaria, por exemplo., Gosto dessa andança porque é um diálogo, uma relação com os outros na qual você acaba trocando e recebendo também. Num trabalho onde uso calhas elétricas, as pessoas da fábrica não imaginavam que fosse possível esse tipo de construção. Foi gratificante para ambos os lados.

 

E seu dia a dia, como funciona? Há uma rotina?

Há momentos em que há maior imersão no trabalho e isso acontece no ateliê. Bem de manhã é um horário bom, quando está mais quieto. Passo um período longo no ateliê, mas também busco outras coisas fora dele.

 

Fale um pouco de sua obra com placas de carro.

Essa série se chama Pra Que, começou por volta de 2007. Apropriei-me desse objeto que está sempre à nossa frente e tem seu próprio sistema, a placa de veículos na cidade. Fiz algumas interferências, desde o uso de palavras até transformá-las em instalação. Essas placas também foram pensadas na circulação, no retorno delas à cidade: voltaram para essa circulação por meio dos carrinheiros que percorrem um circuito alternativo, porém importante em Curitiba. Pelo uso do branco sobre branco, a palavra não se impõe tão afirmativamente nelas. Nessa série de duzentas placas na vertical, as palavras acabam se unindo de diversas formas, nas quais são usados apenas substantivos e advérbios. O trabalho está tanto numa placa única como no conjunto, mas também na impossibilidade de se reter todas elas na memória. O processo foi de uma montagem aberta de união entre palavras.

 

Os trabalhos surgem de forma concomitante ou você finaliza um trabalho para começar outro?

Existem vários segmentos que se organizam em um determinado coletivo, dentro de cada obra, seja quando são placas de palavras ou réguas de cores como em Defórmicas, ou um objeto construído no espaço, num sentido mais arquitetônico, como em Atravessamento. Alguns interesses se impõem nas séries e acabam durando anos. Os trabalhos podem acontecer de forma concomitante e eu até gosto dessa não reclusão em uma única questão. A própria contemporaneidade apresenta as coisas todas juntas. A simultaneidade é dinâmica, é velocidade, é movimento.

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