© Tricia Vieira

Poucas casas são tão pensadas para a exposição de uma coleção como a de Eduardo e Camilla Barella. Várias ilhas de exibição de vídeos estão espalhadas pelos ambientes, onde as obras se dividem por temas: obras que evocam conflitos e questões políticas estão agrupadas em um canto, arte que remete à arquitetura e à vida urbana em outro, e assim por diante. A vasta sala é um espaço perfeito para a contemplação e os tons escuros das paredes destacam e valorizam aquilo que é claramente o centro da vida desse casal, a arte.

As primeiras obras que compramos foram…

fotos do Ricardo Carioba e Rafael Assef.

E compramos essas obras porque…

queríamos decorar a casa, levados por um senso estético.

E a última obra que compramos…

foi um objeto de parede de Fernanda Gomes, uma moldura com pedra.

Porque…

gostamos da sua estética minimalista e também por lidar com objetos do cotidiano, um pouco ordinários. Temos muitas obras que usam isso e muitas que questionam a obra de arte em si, como a Fernanda faz com o vazio dentro da moldura.

Como surgiu a ideia de colecionar arte?

E: Começamos a colecionar na linha de outras coleções, para decorar as paredes depois que nos casamos.

E hoje, como vocês veem sua coleção?

E: A coleção teve um processo evolutivo. No primeiro momento, não tínhamos a ideia de nos tornarmos colecionadores, mas aos poucos fomos nos apaixonando, estudando. À medida que nos aprofundávamos, a coleção ia evoluindo de um contexto mais arquitetônico para um contexto político. C: Somos atraídos por obras que trazem questionamentos presentes no nosso dia-a-dia; temas como economia, capitalismos, fronteiras… Preocupações da nossa geração que são correntes ou familiares para nós.

Qual seu artista predileto hoje?

C: É difícil falar de um artista preferido em toda a história da arte, mas alguém que achamos inspirador e acompanhamos é Alfredo Jaar. E: Concordo em gênero, número e grau! Temos sorte de ter um gosto estético e ideais parecidos. Só compramos o que os dois gostam.

E um suporte predileto?

C: Tentamos não basear as escolhas na técnica, e sim no conceito, mas a importância do conceito na coleção acaba se revelando por meio de técnica. Por exemplo, não temos qualquer pintura. Temos até algumas aquarelas e desenhos, mas como nossa coleção foge dos artistas mais tradicionais, acaba fugindo das técnicas tradicionais também. E: Também não pautamos nossa coleção pelo tamanho de obra, nunca pensei se uma obra cabe na parede. Devo até a admitir que temos certa predileção por instalações, temos várias que nunca sequer montamos depois de comprar.

Porque comprar uma instalação que não vão montar?

C: Claro que gostamos de conviver com as obras, mas vemos o que fazemos também como uma forma de apoiar a produção e a carreira dos artistas que estão trazendo questionamentos importantes para o mundo. Não temos espaço para instalar essas obras agora, mas ficamos felizes em emprestá-las para exposições e museus e saber que elas serão vistas em algum lugar.

Qual sua obra de arte dos sonhos?

C: Uma obra de Joseph Beuys. E: A minha também! Beuys é alguém que contextualizaria muito nossa coleção. De qualquer forma, acho bom ter sonhos, acho legal que haja limites de tempo, disponibilidade, grana. Isso faz você ter que descobrir coisas novas, buscar mais, estudar. Talvez fosse chato ter recursos ilimitados e poder ter o que quiser.

Como vocês enxergam o futuro da sua coleção?

E: O exercício que procuramos fazer é se forçar a não pensar na resposta para essa pergunta. Existe um processo longo de construção; o resto, só o futuro dirá.

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