© Gustavo Sosa Pinilla

DASARTES 22 /

Eduardo Constantini

Eduardo Constantini mostra pela primeira vez sua coleção particular.

Por trás do Malba, talvez o maior museu de arte latino-americana do mundo, existe um
colecionador como tantos outros, apaixonado e curioso pela arte. Enquanto a seção Entrevista
desta edição revela o homem por trás do museu, aqui, em um papo informal, Eduardo
Constantini mostra pela primeira vez sua coleção particular e fala de sua eterna busca por
obras-primas.

As primeiras obras que comprei foram… quadros de Leopoldo Preses e Vasilev.

E escolhi essas obras porque… estava passando pela galeria, vi um quadro que me interessou e entrei. Essa pintura não pude comprar porque não tinha o dinheiro – na época eu tinha 22, 23 anos, estava comprando um apartamento –, mas a senhora da galeria, muito agradável, me mostrou outras opções e acabei comprando estes, pagando em parcelas. Logo fui comprando outro, e mais um e nunca mais parei de comprar, foi como o começo de uma atração natural, que nasceu de uma forma espontânea. Na verdade, fui comprar um sorvete e passei na
galeria. Podemos dizer que, de um sorvete, surgiu o Malba (risos).

E a ultima obra que comprei… é fácil lembrar, pois faz menos de 24 horas. Na Arte BA, estou
comprando um Lux Lindner, artista que o Malba também adquiriu com uma doação do
Citibank, e algumas outras coisas. Também estou me preparando para comprar nos leilões de
arte latino-americana de Nova Iorque em maio.

Como escolhe as obras que compra?
Da mesma forma que uma instituição. Compro arte por sua qualidade. Sempre tento comprar
a melhor obra, do melhor período, dos melhores artistas.

Você se considera um colecionador apaixonado ou um investidor?
Não sei categorizar, mas é uma busca por excelência artística. Tomamos Picasso: eu não
compraria um Picasso dos anos 1950, só compraria dos anos 1920, 1930, ou seja, não poderia
comprar um Picasso. Claro que isso tem uma consequência econômica em que, no momento
de comprar, tenho que esvaziar os bolsos. Eu sempre fui responsável por recordes de preços
de artistas, mas simplesmente porque sempre busquei as obras superlativas. Criei recordes de
preço na época para Frida Kahlo, Torres Garcia, Tarsila, Di Cavalcanti… Comprei um Diego
Rivera cubista lá por 1996 (Retrato de Ramón Gómez de la Serna, 1915), que custou mais que
Frida Kahlo, foi uma das obras mais caras que já comprei, ou seja, há 15 anos paguei por um
Rivera US$ 3 milhões. Poderia ter comprado 30 Diegos Riveras tardios.

Pagar sempre preços máximos não parece coisa de investidor…
O que é bom, é caro. E aí também entra a paixão. Sou apaixonado por Frida Kahlo, por
exemplo, e mais ou menos nessa mesma época comprei também um quadro dela que
permaneceu um recorde de preço por seis ou sete anos. Mas veja, era um quadro de 1942. No mesmo leilão estava à venda o Dança de Tehuantepec, de Diego Rivera, que acabei não
comprando. Em minha opinião, nunca apareceu uma obra como essa. Se posso, compro o
melhor.

Tem comprado arte brasileira?
Está difícil comprar arte brasileira, está muito cara. Veja este Emilio Pettorutti, que comprei há
dois anos por US$ 120 mil. Uma grande obra de um grande artista. Agora, no Brasil, qualquer
coisa vale US$ 120 mil, é uma loucura!

Tem um artista ou movimento preferido?
Na verdade, sempre gostei da avant garde, do cubismo e futurismo. Depois, gosto de Roberto
Matta, cuja melhor obra está agora no Art Institute of Chicago, doada por um colecionador.
Encanta-me A Persistência da Memória, de Dalí, aquela com os relógios que derretem e, claro,
as Demoiselles d’Avignon, do Picasso, que é o melhor do cubismo.

E em arte contemporânea, você gosta de descobrir novos talentos?
Sim, gosto e sou ativo nesse terreno. Claro que é um terreno mais perigoso, mas eu faço
minhas tentativas. Por exemplo, já criei um recorde de preço para a obra de Beatriz Milhazes
na época, que hoje vale muito mais do que paguei.

Compra novas mídias: vídeos, instalações, performances?
Eu e minha mulher compramos instalações e vídeos, mas claro que é mais fácil comprar obras
sobre cavaletes. Por exemplo, o Fitotron de Luis Fernando Benedit é uma obra importante que,
por questão de espaço, fica exposta no Museu.

É sempre uma busca por qualidade, dentro de qualquer suporte?
Sim, claro, e dentro do meu limite de orçamento. Agora, por exemplo, gostaria de comprar
uma instalação de Cildo Meirelles, mas é de um valor muito elevado. É o Desvio para o
vermelho. Quando a vi, minha reação foi simplesmente “UAU!”. É uma obra capital e qualquer
instituição que a tenha está jogando na primeira divisão. Claro, para isso tem que se colocar
US$ 3 ou 4 milhões.

Tem algum sonho de consumo não realizado?
Mil! Há mil obras que sonho em ter na minha coleção. Nem conseguiria começar a nomear.

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