Divulgação da obra X Licenciamento comercial

O artista deveria sempre sonhar e trabalhar para que sua arte estivesse ao alcance de todos e não apenas em museus e nas paredes dos colecionadores. Muitos são os caminhos que podem ser trilhados pelos artistas para se conectar com um grande público sem, com isso, diminuir o valor de sua obra.

Um desses caminhos é através das reproduções. Estas deverão ser controladas pelo artista para que a qualidade seja preservada. Tragédias podem acontecer quando o artista cede, por completo e irrestritamente, o direito de uso de sua obra ou de seu nome. Seu uso incorreto pode ter um preço muito alto, e é difícil de se calcular o estrago e as consequências para a sua carreira.

Outro meio a ser trilhado é a divulgação da obra. O artista deveria investir um pouco de seu tempo se preocupando em estar presente em bons livros, inclusive os didáticos, e na mídia. Grande erro cometem aqueles que querem cobrar para que sua obra seja publicada em um livro ou revista. Esse tipo de atitude só gera antipatia, porém, com isso, não quero dizer que ele não deva se preocupar ou se interessar em saber em que contexto a obra estará sendo publicada.

Geralmente, são famílias de artistas falecidos que veem nessa cobrança uma possibilidade de renda extra. Isso deve servir de alerta para os vivos que não querem e nem concordam com esse tipo de atitude. Podem e devem os artistas se preocupar em vida com a maneira com que suas famílias conduzirão sua arte após seu falecimento, deixando documentos legais que especifiquem seus desejos.

Talvez, o caminho mais eficaz para se conectar com um grande público seja por meio do licenciamento da imagem da obra para ser aplicada em um produto comercial específico. Imagine que esse produto esteja disponível em um supermercado, atingindo pessoas que talvez jamais tenham entrado em um museu, mas que são seduzidas e amam a arte sem necessariamente entendê-la. Dirão aí os críticos que isso não é arte, apenas marketing. Essa é uma longa discussão. O que vale salientar aqui é que o licenciamento poderá ainda ser uma fonte de renda generosa e constante para o artista. Assim como em reproduções, o licenciamento exige cuidados específicos e seria conveniente que o artista tivesse a orientação de um profissional idôneo, pois o assunto requer conhecimento e cuidados especiais para proteção da obra como um todo.

Temos ainda opções importantes, como trabalhos com crianças, obras públicas, painéis em hospitais, escolas, ações de caridade e aeroportos. Muitas dessas ações não envolvem remuneração, mas devem ser vistas como um grande investimento e que agrega grande valor à carreira. Sem dúvida, são tantos os caminhos que podem ser seguidos que esse assunto daria, certamente, um livro. Tudo nasce da vontade que o artista tem de abraçar o mundo e mostrar sua obra para o maior número possível de pessoas.

Por Bia Duarte, diretora da B Licenças Poéticas, responsável pela gerência dos direitos autorais de diversos artistas plásticos

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