Lago, 2013, é um dos trabalhos que compõem a série Estratigrafias,do curitibano Diogo Duda. À primeira vista, chama a atenção a delicadeza artesanal da construção, enfatizada pela transparência, pela sutileza da variação cromática e pela manipulação meticulosa do papel. Contudo, logo se percebe que o artista trabalha com o papel procurando a tridimensionalidade, escavando caminhos, desvelando territórios, abrindo fendas e criando vazios que introduzem volume e profundidade no suporte bidimensional. As incisões precisas, além de conferirem uma dimensão escultural ao trabalho, revelam camadas subterrâneas, ou estruturas intangíveis, que, de acordo com Diogo,“servem de janelas, transições ou passagens para os planos subjacentes, traduzindo-se no ato de escavar pela necessidade de transpor o raso”.

A forma hexagonal, a regularidade na sobreposição das camadas e a valorização da textura, que deixa bem evidentes os poros do papel, parecem explicitar uma aproximação com as vertentes construtivas. Mas, neste trabalho, a geometria dialoga com uma forma orgânica, enfatizada pelo título da obra (Lago), e a sobreposição de camadas que compõem o espaço remete a paisagens seccionadas, típicas dos mapas geológicos, ideia que é enfatizada pelo título da série (Estatigrafias).

Assim, é possível perceber que Lago se inscreve em domínios ambíguos, encontra-se no limiar entre a construção e a representação, entre a geometria e a figuração. Dessa maneira, soma-se às manifestações contemporâneas que, transitando livremente entre linguagens e processos, em princípio, díspares, ajudam a redesenhar os contornos desses conceitos. Para saber mais sobre a obra do artista, acesse www.diogoduda.com.

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