© Acervos dos museus

DASARTES 10 /

Descaso pelo popular

Chuvas ameaçam duas importantes instituições de arte popular e ingênua

Muitos são os museus brasileiros com instalações precárias e que sofrem com a falta de financiamento. Entre eles estão o Museu Internacional de Arte Naïf e o Museu Casa do Pontal, ambos no Rio de Janeiro, que há anos vêm lutando para garantir espaço para a Arte Popular Brasileira e a Naïf. No entanto, após as chuvas recentes que assolaram o Rio de Janeiro, a situação destes museus passou de preocupante para calamitosa.

A Casa do Pontal, na Zona Oeste, amanheceu com a galeria de exposição permanente alagada e, felizmente, graças a alguns funcionários que transportaram as obras para o outro andar do prédio, nenhuma foi danificada. O museu foi inaugurado em 1976 e, há anos, vem reivindicando aos órgãos públicos melhorias para seu acesso, que conta com um canal e um córrego obstruídos pela poluição da região. Com a chuva, a casa ficou um longo período fechada para reformas e só voltou a abrir no final do mês de maio. Com isso, as cerca de 8 mil peças de mais de 200 artistas renomados foram privadas de visitação pelos turistas e estudantes que costumam frequentar o local. O Museu Casa do Pontal detém um dos acervos mais importantes de arte popular brasileira.

O mesmo aconteceu com o MIAN, localizado no Cosme Velho, a 10 metros do bondinho de Santa Tereza; o mesmo que leva ao Corcovado, alvo de intensa visitação. Cerca de 3 mil obras tiveram de ser realocadas para o mezanino e ainda aguardam reformas para serem realocados. Inaugurado em 1995, o museu se dedica com exclusividade à pintura e escultura Naïf de artistas brasileiros e estrangeiros. Apesar de seu apelo turístico, não apenas pela arte típica, mas também pela localização, atualmente o MIAN está aberto apenas no horário da tarde, por restrições orçamentárias.

A política cultural brasileira enfatiza a importância da popularização da arte e da cultura. Espera-se providências que garantam a sobrevivência de dois museus que oferecem a arte mais acessível e democrática: aquela que representa a expressão artística do povo, livre de formalismos. Até o fechamento desta edição, o MIAN aguardava confirmação de repasse de verbas em caráter emergencial pelo Ministério da Cultura.

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