© Sergio Caddah

DASARTES 12 /

Dario Zito

O jovem colecionador e seus múltiplos.

Nos últimos tempos, o mercado de arte viu surgir um novo tipo de colecionador, seduzido pela versatilidade da arte contemporânea e pela acessibilidade dos múltiplos. Dario Zito é um exemplo desta turma. O dentista começou a comprar arte há pouco mais de quatro anos, mas em sua casa já são poucos os espaços não ocupados por obras de arte, que formam uma coleção jovem, ousada e divertida, exatamente como o dono.

 

As primeiras obras que comprei foram…

De Ana Holck, Nazareno e Felipe Cohen.

 

A última obra que comprei foi…

Um recorte de Leda Catunda.

 

Meus artistas prediletos são…

Paulo e Eduardo Climachauska, Alex Cerveny, Paulo Bruscky, Wagner Malta Tavares, entre outros.

 

Meu suporte predileto é…

O objeto e a escultura. Prefiro as pequenas dimensões, e também gosto de colagens.

 

Quando você começou a colecionar?

Sempre gostei de arte, desde pequeno pedia que minha mãe me levasse aos museus. Meus amigos sabiam disso e foi um deles que sugeriu que eu começasse a colecionar. Eu pensei “arte é muito cara, não tenho condição, existem outras prioridades”, mas ele insistiu e me levou a uma galeria, a Virgílio. Lá percebi que havia obras que me atraíam e que eu poderia comprar, e assim comecei.

 

De onde veio o gosto por múltiplos?

Quando percebi que poderia comprar uma ou duas obras por mês, entrei no clube de gravura do MAM e passei a fuçar as galerias. Aí ficou claro que era possível ter obras de artistas renomados a preços acessíveis comprando múltiplos. Assim comprei obras de Ernesto Neto e Nelson Leirner, por exemplo.

 

Você tem preferência por artistas jovens?

Tenho preferência pelo contemporâneo; mas é mais fácil adquirir os mais jovens. Acho interessante conhecer os artistas antes de eles estourarem, e também é importante errar, comprar por impulso… Com erros e acertos, você vai esculpindo sua coleção e formando seu olhar. Tenho orgulho de ter esta pequena coleção, de ser amigo dos artistas.

 

Qual a importância da orientação dos galeristas para quem está começando uma coleção?

Uma das pessoas que mais abriu minha cabeça para a arte contemporânea foi a Izabel Pinheiro, da Galeria Virgílio. Quando o colecionador não tem medo de pedir ajuda, esclarecer seu gosto e seu orçamento, os galeristas acabam dando boas dicas que se encaixam na sua coleção. Profissionais como a Juliana Freire da Emma Thomas, a Márcia Fortes da Fortes Vilaça, o Baixo e o Eduardo da Choque Cultural me ajudaram a descobrir novos artistas, como Rafael Alonso e Mariana Weffort, por exemplo, e a quebrar o estigma de que só colecionadores milionários e grandes museus podem ter arte.

 

Onde você guarda sua coleção?

Em casa, no consultório e na casa da minha mãe. Creio que uma coleção não é nada se você não a divide com as pessoas. Não se trata de exibicionismo, mas é uma forma das pessoas me conhecerem e saberem o que eu penso. Tenho vontade de doar parte da coleção pra uma instituição ou alugar um galpão e montar uma galeria particular.

 

Tem algum sonho de consumo não realizado?

Sergio Camargo e Amilcar de Castro. São simples e puros.

 

O que o leva a escolher uma peça?

A grande sacada de uma obra é a simplicidade da ideia, o desenho sutil e a simples atração que ela exerce. Colecionar é um exercício. Não é um investimento, e sim terapia, todo mundo pode começar a adquirir arte.

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