Câmera, filme e um par de olhos bem abertos: esses são os materiais utilizados por Cristina Motta na produção de sua arte. Se a pintura deixou de se ater ao registro da realidade com o surgimento da fotografia, muita desta passa a se assemelhar à pintura, num movimento de influência direta entre as duas linguagens. Ao olhar para o trabalho de Cristina, parece que estamos diante de uma fotografia-pintura, ou vice-versa. “Eu pinto a imagem, o meu negócio é a cor”, diz a fotógrafa.

De posse de sua Nikon N80, a artista sai em busca de imagens inusitadas. Este trabalho, da série Catadoras de Vôngole, surgiu a partir da observação direta destas mulheres no seu ambiente de trabalho. “O mar, a sombra, a correnteza, a crispação causada pelo vento; tudo vale um olhar e um click”.

Grande incentivador e influência direta, o artista Artur Barrio convidou Cristina para fazer imagens de suas intervenções nas ruas; a partir daí, ela nunca mais largou a câmera. Logo, a fotógrafa sentiu necessidade de realizar um trabalho mais autoral: “decidi ser artista por ter muitas ideias para expressar, necessito criar”. Outra influência constante em seu trabalho é o fotógrafo Fernand Fonssagrives (1910-2003), o mestre da luz. Segundo Cristina: “Arte é uma ideia, uma obra, uma imagem, uma forma de expressão que atinge a plenitude do tempo”.

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