A coleção de Marcelo Cintra possui como base primordial o olhar criterioso do colecionador, que usa a emoção como um dos pressupostos para suas escolhas. A inclusão da fotografia em seu acervo pessoal ocorreu após uma visita, já há alguns anos, à semana de Fotografia em Madri e, atualmente, já responde por 20% de suas obras de arte.

Como começou seu interesse em colecionar arte? Fale um pouco de sua coleção.
Minha coleção começou muito cedo pelo meu interesse em artes plásticas desde criança. Estudei desenho, pintura e gravura mas decidi colecionar e não produzir arte. A partir da idade adulta, meu interesse foi pelos geométricos e minimalistas. Além deles, interessei-me muito pela produção da arte americana a partir do final dos anos 1950 e comecei também a colecionar obras em papel e também pintura do Wesley Duke Lee depois que participamos de projetos juntos e de nos transformarmos em grandes amigos.

Há alguma ideia ou conceito por trás de sua coleção? Quais seus critérios na hora de escolher o que comprar?
A minha, acho que, como todas as coleções, foi mudando com o tempo. Troquei algumas obras, outras vendi e comprei novas e muitas ganhei de amigos artistas. Compro somente o que me emociona, seja pelo tema abordado ou pela técnica utilizada, e a fotografia moderna e contemporânea foi uma novidade no meu olhar.

Qual a primeira obra que você adquiriu? E a última?
Não me lembro qual foi a primeira obra que comprei, mas seguramente foi uma gravura, já que não tinha dinheiro, ainda adolescente. A última obra que comprei foi uma pequena foto, que achei uma joia do Gal Oppido, na Galeria Lume.

O que o público poderá encontrar na mostra com obras de sua coleção?
Quando escolhi dentre as minhas fotos as que estão na exposição, tracei um histórico ligado à figura humana e à cultura brasileira começando pelo Pierre Vergé, passado pelo Mario Cravo Neto, Miguel Rio Branco e Cristiano Mascaro. Existe um link entre elas e a foto do Thomas, um dos famosos modelos negros do Robert Mapplethorpe. Terminando, a explosão de movimento da infância de Begoña Egurbide – que me encantou quando vi.

Algum desejo ainda não realizado ou obra em vista para a próxima compra?
Muitas obras ainda fazem parte dos meus sonhos. Na fotografia, muitas que acabei de ver na Paris Photo, que fui à abertura. Fotos de países que não temos acesso também, como a Turquia, por exemplo.

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