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Em Purgatório (2013), de Bruno Belo, a imagem é percebida gradativamente. Uma sobreposição de planos e transparências aos poucos se desdobra evidenciando os vestígios das figuras que compõem o espaço multidimensional e fragmentado da tela. “Trabalho usando diferentes fotografias, extraídas de mídias diversas, algumas retiradas de contextos jornalísticos e outras mais genéricas, que vão se somando como que em camadas semitransparentes”, conta o artista, “a ideia é que essas imagens intercaladas causem ruídos sobre as outras”.

As referências às notícias jornalísticas também se fazem presentes por meio da escolha de alguns de seus títulos, como Protesto em Londres ou Conflito no Quirguistão. Mas embora a linguagem, substantivada e concisa, aponte na direção das manchetes de jornal, sua pintura não parte da transcrição mimética do referente, mas da recriação do que parece se assemelhar mais a uma atmosfera do que a uma paisagem realista – “não é para ilustrar a experiência, mas revelar a nova substância”.

As imagens espectrais de Bruno parecem habitar os intervalos entre a figuração e a abstração. Os tons aguados e os contornos fugidios desenham figuras que se liquefazem e escorrem para além do espaço da tela. Nas fissuras entre as muitas camadas que compõem o trabalho, abre-se um espaço de discussão sobre a própria natureza das imagens, que se constituem “por adição” ou pela “fusão” de uma série de “citações” de referências distintas – “processos derivados de fontes dessemelhantes em que as coisas se fundem e revelam uma convergência que não é unívoca; não reproduzem verdades, mas produzem sentidos”. Para saber mais sobre a obra de Bruno Belo, acesse www.brunobelo.com.br.

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