© Obra Mike Nelson, 2011

A 54ª Bienal de Veneza, o maior evento do mundo das artes, abriu as portas para o público em 4 de junho. Com um total de 89 países participando, doze a mais do que na última bienal, esta edição é a maior da história da instituição.

Logo na entrada dos jardins da Bienal, um tanque de guerra virado de cabeça para baixo se encontra largado na grama, mais precisamente em frente ao Pavilhão dos Estados Unidos. O tanque, temido em área de combate, nessa posição parece inofensivo. Ao me aproximar dele, percebo que em cima dos trilhos expostos se encontra um aparelho de ginástica, uma esteira de corrida. O trilho então começa a se mover, impulsionado pela força do corredor profissional que agora está fazendo sua ginástica em baixo do sol escaldante e azul da cidade de Veneza. A obra, chamada Track & Field, é de autoria da dupla cubana Allora & Calzadilha, artistas convidados para representar o pavilhão dos EUA na Bienal.

Ela prevê o que vem a ser uma bienal com obras que buscam quebrar fronteiras, de forma inteligente e onde predominam as instalações e ambientes. Vale destacar a instalação do artista Mike Nelson no pavilhão da Inglaterra, uma reedição de sua instalação na Bienal de Istambul em 2003. A intervenção do artista transformou o tradicional e aconchegante Pavilhão da Inglaterra em vários ambientes desconfortáveis e desconcertantes que remetem às favelas de Istambul ou aos guetos escondidos da cidade de Veneza, permeados de materiais baratos ou achados nessas mesmas cidades.

O premiado pavilhão da Alemanha, após a morte de câncer no pulmão do artista e diretor de cinema e teatro convidado Schlingensief ano passado, passou a ser uma instalação em memória à sua obra. Em contraste, no pavilhão da França, podemos ver uma enorme instalação com andaimes de metal onde imagens de bebês recém-nascidos rodam em ritmo acelerado. O artista Boltanski cria um bebê a cada segundo. Da mesma forma, o suíço Hirshhorn fez um grande ambiente de cristais que ele mesmo criou.

Já o Pavilhão do Brasil apresenta a obra do artista Artur Barrio e as situações por ele criadas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, no primeiro salão são revisitadas as famosas Situações que o artista criou há mais de quatro décadas, por meio de vídeos, fotografias e textos. Na segunda sala, há uma instalação feita especialmente para a Bienal.

Junto aos Pavilhões Nacionais muito inventivos, no Pavilhão Central está em exibição a mostra da exposição internacional, ILLUMInations, com curadoria de Bice Curiger. Nela, a curadora visa abordar o tema da identidade e o sentimento de pertencimento exibindo obras de mais de 83 artistas do mundo inteiro. Central a essa mostra estão três obras-primas do pintor veneziano Tintoretto. A dramatização da luz, a experimentação e a expressividade que se encontram nas obras de Tintoretto ainda têm o poder de engajar o visitante.
A instalação do artista James Turrell, reconhecido pelas esculturas de luz, destaca-se assim como a obra do artista suíço Urs Fischer. Na obra de Fischer, objetos comuns assumem propriedades estranhas. Brincando com o tema da exposição ILLUMInations, as esculturas de Fischer são velas gigantes esculpidas em três diferentes formas, dentre elas a do seu amigo e artista Rudolf Stingel. Durante a Bienal, a vela fica acessa e as esculturas de cera começam a derreter, formando uma nova escultura.

Mas o Leão de Ouro da Bienal de Veneza foi para o artista inglês Christian Marclay, com a sua obra-prima O Relógio. A obra, um filme de 24 horas, consiste de milhares de cenas fragmentadas retiradas de várias películas cujo tema central é a hora e o relógio.

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