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Gülsün é uma das mais significativas artistas vivas da Turquia. Com pouco mais de 60 anos, ela talvez possa ser melhor compreendida pelo público brasileiro se compararmos a sua influência no cenário de arte turco à de Lygia Clark no Brasil. Ela esteve envolvida na resistência política contra o regime militar na década de 1980 e tomou uma postura declaradamente feminista em relação às tradições da cultura turca. Suas obras atravessam muitos suportes e ideias, mas a escrita e reescrita da história assombram tudo o que ela produz. Muitas vezes, ela utiliza elementos do período otomano ou do início de República Turca para analisar como eles ainda moldam a vida contemporânea. Na 31.ª Bienal, mostrará um trabalho em vídeo com duas telas que captura com precisão a sensação de perda e desorientação que segue o deslocamento geográfico forçado de um indivíduo – seja em virtude da guerra, imposição política ou necessidade econômica. O vídeo é minimalista em sua encenação, mas ainda consegue cobrir toda uma gama de emoções, do medo e desejo à aceitação relutante. Uma segunda obra lança um olhar mais diretamente feminista aos estilos de arte otomana, usando bordado para criar um pano que dá um papel mais ativo às mulheres dentro dessa rica tradição de criação de imagens figurativas. Ambas as obras imaginam o fazer da história como um ato criativo. Elas especulam sobre o que aconteceu e como a sociedade pode reagir de maneira diferente hoje ao seu próprio passado. Ao tentar ler e entender a história não como verdade recebida, mas como um conjunto de possibilidades para orientar o futuro, seus trabalhos são apropriados para serem exibidos no Brasil, que também está passando por um momento interessante de repensar suas relações com a narrativa nacional tradicional. As conexões entre arte turca e brasileira hoje, embora muito diferentes em sua origem, são forjadas desta forma ao longo da 31.ª Bienal e de seu programa de debates, chamado Direito à Cidade.

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