Bienal 2010: a programação paralela em destaque

Em torno da 29ª Bienal Internacional de São Paulo, as principais instituições de arte paulistanas vêm trabalhando ativamente na elaboração de novas estratégias de articulação da infraestrutura cultural da cidade. Em um primeiro momento, este projeto inédito pretende privilegiar o recorte proposto pela curadoria do evento, adotando como

Organizada desde o final do ano passado sob o sugestivo nome de São Paulo – Pólo de Arte Contemporânea, esta verdadeira rede cultural se uniu à Fundação Bienal de São Paulo, tendo como objetivos principais a reafirmação da capital paulista como centro difusor da arte contemporânea no país e a inserção definitiva da cidade no cenário artístico internacional.

Como primeiro resultado do caráter profícuo desta parceria, a ação coordenada destas instituições promoverá uma série de exposições, seminários e ações educativas que prometem tornar ainda mais intensa a programação oferecida ao público nacional e estrangeiro que, atraído primeiramente pela pujança da mostra bienal, será convidado a percorrer outros espaços da cidade, a qual, entre os meses de setembro e dezembro, se transformará em uma grande arena de debates e reflexões em torno da arte contemporânea.

Entre as atrações estrangeiras, destacam-se: a coletiva Back-Forward, no Centro Brasileiro Britânico, que trará trabalhos dos artistas contemporâneos mais consagrados da Grã-Bretanha, como Damien Hirst e Anish Kapoor; a mostra The Exotic West, no Centro da Cultura Judaica, com trabalhos de artistas israelitas, iranianos, palestinos e iraquianos; e a exposição Pintura Alemã Contemporânea, no Museu de Arte de São Paulo, com obras de Martin Kippenberger e Jonathan Meese, entre outros.

Como se não bastasse, o Sesc Pompeia abrigará a individual A Revolução Somos Nós: Joseph Beuys, que, graças ao amplo recorte de cerca de trezentos trabalhos, torna-se uma oportunidade única para contemplar a obra deste emblemático artista alemão. Os trabalhos de Rebecca Horn, outra artista alemã, estarão na individual A Rebelião do Silêncio, no Centro Cultural Banco do Brasil, que também apresentará instalações sonoras de Laurie Anderson, artista multimídia norte-americana.

As individuais de Mira Schendel, no Instituto de Arte Contemporânea; de Antonio Dias, na Pinacoteca do Estado (que também abrigará uma instalação sonora de Carlito Carvalhosa e Philip Glass e uma retrospectiva do artista mexicano Felipe Ehrenberg); de Ernesto Neto, no Museu de Arte Moderna; e de Regina Silveira no Instituto Itaú Cultural irão aguçar ainda mais o paladar dos visitantes para outras mostras, tais como As Construções de Brasília, que apresentará fotografias de Marcel Gautherot e Thomaz Farkas, além de trabalhos de Cildo Meireles e Jac Leirner; e Arte Postal, no Centro Cultural São Paulo, com trabalhos de Paulo Bruscky, Artur Barrio, entre outros.

Na Cinemateca Brasileira, duas mostras relacionarão as artes visuais à linguagem cinematográfica: a primeira é uma retrospectiva dos filmes do alemão Harun Farocki, e a segunda, com curadoria do cineasta português Pedro Costa, exibirá filmes de sua autoria e de Danielle Huillet e Jean-Marie Straub. No mesmo local, um seminário temático discutirá as relações existentes entre as duas linguagens artísticas.

Ocupando durante nove meses o Teatro de Arena e o Edifício Copan, dois lugares emblemáticos do centro de São Paulo, o Projeto Capacete, em parceria com a Funarte e a organização da Bienal, promove, desde o mês de março, uma série de workshops e palestras, além de financiar projetos de residência artística em apartamentos do prédio projetado por Oscar Niemeyer.

Para atender aos visitantes, os núcleos educativos de todas as instituições envolvidas preparam, com extremo cuidado, os seus respectivos programas, tendo como foco central a formação consistente de público e a democratização do acesso à arte. Assim, os profissionais envolvidos prometem enriquecer ainda mais as múltiplas possibilidades de vivência que derivam do contato direto do público com as obras apresentadas em cada uma das exposições.

Marcos Florence é formado em História na USP e bolsista na Fundação Biblioteca Nacional, onde desenvolve o projeto “Letras e Artes no Brasil: a consolidação da crítica no segundo Reinado”

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