© MAURO PINTO

Dá Licença, pede Mauro Pinto na série de doze fotografias que concorre ao Prêmio BES Photo deste ano. Licença para adentrar a casa e a vida de moradores do bairro de Mafalala, na capital moçambicana Maputo. As casas são simples, flagradas no seu desarranjo do cotidiano em uma fotografia sem artifícios, sem manipulação das imagens ou montagem de cenários. “A forma como o artista utiliza a luz, dando vida aos elementos presentes e cor aos objetos (…), realça a capacidade com que o seu trabalho nos transporta para uma realidade habitada”, comenta o júri, formado este ano por Dominique Fontaine, curadora e assessora da plataforma POSteRIORI (Montreal), DirkSnauwaert, curador e diretor do WielsArts Center for ContemporaryArt (Bruxelas), e UlrichLoock, ex-diretor adjunto do Museu de Serralves e do Kunsthalle Bern.

Esta série e as demais finalistas estarão em exposição na Estação Pinacoteca de 16 de junho a 5 de agosto, em mais uma edição do evento patrocinada pelo braço brasileiro do Banco Espírito Santo, um dos grandes patronos das artes visuais de Portugal e proprietário de uma das coleções de fotografia contemporânea mais relevantes da atualidade. Além dessa e outras exposições patrocinadas pelo BES, o Banco ainda mantém no Brasil o Prêmio de Arte Espírito Santo Investment Bank, que promove a aquisição de obras de arte durante a feira SP Arte, e sua doação ao acervo da Pinacoteca.

Completando sua 8.ª edição este ano, o BES Photo teve entre seus selecionados Rosangela Rennó. A artista mineira concorreu com a obra Lanterna Mágica, baseada em fotografias do início do século 20, compradas em uma loja de antiguidades. O método de trabalho também foi tradicional, com a criação de negativos e sua ampliação, onde a artista interveio, criando a ilusão de fantasmas, raios de luz e buracos negros. A releitura resulta em um elemento inesperado dentro de um tipo de fotografia pessoal que costuma inspirar familiaridade.

O Brasil teve ainda outro finalista, o coletivo paulistano Cia de Foto, que apresentou fotografias e vídeos, estes propostos como “paisagens sonoras”. São cenas escuras da série Agora, algumas no limite da visibilidade, narrativas insólitas em que a ausência de luz é quase um personagem. Na descrição dessa série no blog dos artistas, o escuro “pode ser entendido por um artifício da luz que se recusou a chegar à cena, mas nem por isso deixa de ativar sentidos”.

O terceiro finalista é o lisboeta Duarte Amaral Netto. Seguindo a linha de trabalhos anteriores, que foca em memórias e narrativas íntimas por meio de imagens, a série navega pela história de um personagem, que se forma em medicina às vésperas da Segunda Guerra, trabalha em um hospital da força alemã e termina fugindo para a França, e entre esses dois momentos, pratica esqui, vai a jantares, faz fotos de seus pacientes. O trabalho explora a linha entre ficção e realidade, construindo por meio de imagens reais uma história que não sabemos se é verdade.

Criado em 2004, o BES Photo é um dos maiores prêmios em dinheiro do mundo para artes visuais, no valor de 40 mil euros. Nasceu como um prêmio português, mas em 2011 internacionalizou-se, passando a considerar candidatos de todos os países de língua portuguesa. O prestígio e a importância do prêmio têm grande impacto sobre as carreiras dos laureados, como Manuela Marques, que, após a nomeação no ano passado, ganhou sua primeira individual no Brasil. Antes de sua passagem pela Pinacoteca, os trabalhos dos quatro finalistas são expostos no Museu Colecção Berardo, parceiro da iniciativa.

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