A foto acima faz parte da série Cambinda do Cumbe da fotógrafa Bárbara Wagner, que para tal frequentou três maracatus (Estrela Brilhante, Águia Dourada e Cambinda do Cumbe) em Nazaré da Mata, área rural de Pernambuco, nos ensaios que antecederam o carnaval de 2008. Despidos de sua indumentária folclórica e turística, Bárbara desconstrói o imaginário popular do caboclo brincante e, com uma pegada ao mesmo tempo documental e fictícia, aproxima cotidiano e arte com certa ironia, na tradição de fotógrafos como Robert Frank e Martin Parr.

O flash em ambientes de luz que prescindiriam seu uso confere ao ensaio um traço do fotojornalismo e da publicidade, áreas em que Bárbara atuou antes de se dedicar à fotografia artística. Bárbara justifica seu uso “É uma espécie de assinatura. As pessoas gostam do flash, sentem-se importantes. Além de ser um atestado da minha presença”. A fotógrafa costuma fazer um trabalho de pesquisa amplo antes de sair em campo para fotografar. “Não tem a ver com estar em um ateliê e ter uma inspiração. É um trabalho de articulação”

Em um ensaio anterior, Brasília Teimosa, Bárbara fotografou, com uma câmera digital 35 mm e flash, pessoas comuns como celebridades na praia da comunidade que leva este nome, em uma espécie de editorial de moda periférico. Explorando estereótipos com uma estética pop e kitsch, inseriu seu comentário acerca dos valores de aparência e comportamento desta comunidade.

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