ARTISTA EM FOCO – DANIEL SENISE

© Ding Musa

Tendo visto uma década inteira de pinturas de Daniel Senise em exposições, bem como alguns trabalhos em andamento em seu ateliê, pensei que conhecesse seu trabalho em primeira mão. Mas me vi, fascinado e intrigado, a dispender um tempo considerável diante da instalação que Senise fez para a exposição do Made by… feito por Brasileiros, no antigo Hospital Matarazzo – exposição da qual participei como curador convidado dos EUA. Por meio de visitas quase diárias, aprendi mais sobre o mistério da arquitetura e a profundidade das quais o artista é capaz de utilizar. Como se caminhássemos dentro de uma de suas pinturas, sua instalação atravessa um cômodo decadente do Matarazzo: a metade esquerda mostra os 20 anos de decadência com um retângulo limpo e intacto no meio da parede; na outra metade, limpa e intacta, a decadência da parede original ecoa em um retângulo. Trata-se de um diálogo que se trava entre dois retângulos paralelos, um nítido e limpo oposto ao seu semelhante agredido e maltratado. A instalação é formalmente elegante e emocionalmente ressonante… Como um relacionamento esgotado, como uma longa vida vivida. Uma poética minimalista e maravilhosa.

Testemunhar diariamente a instalação de Senise melhorou meu entendimento sobre quem ele é e de sua trajetória a uma importante e eficiente recepção internacional e perfil do mercado. Akio Aoki, da Galeria Vermelho, diz que “a força de Daniel Senise no mercado – seus trabalhos curtam entre USD $ 60,000 e USD $ 120,000 – se deve, em parte, ao fato de ter sido amplamente adquirido por colecionadores particulares notáveis e instituições públicas poderosas – Ludwig Museum, Köln Germany; The Brooklyn Museum, Nova Iorque (EUA); Museo de Arte Contemporâneo (MARCO), Monterrey (México); Stedeljk Museum, Amsterdã (Holanda); Coleção Cisneros, Caracas (Venezuela) –, incluindo a pintura Ici et ailleurs [Aqui e alhures] doada pelo Credit Suisse para a Pinacoteca do Estado de São Paulo”.

Daniel Senise nasceu no Rio de Janeiro e tem um ateliê na cidade. Além de uma extensa trajetória de mostras no Brasil, a recepção internacional à obra de Senise é forte e foi avivada pelo fato de o artista ter morado e trabalhado na cidade de Nova Iorque por longos períodos. Ele participou de inúmeras bienais internacionais, como a Bienal de Havana, em 1986, em Cuba, e também a Bienal de Veneza, em 1990, na Itália; de exposições em instituições como o Musee d’Art Moderne de la Ville, Paris; Museum of Modern Art (MOMA), Nova Iorque; Museum of Contemporary Art, Chicago; Centre Georges Pompidou, Paris; Museo de Arte Contemporáneo Sofía Imber, Caracas; Museu Ludwig, Cologne. Teve, ainda, trabalhos expostos em mostras de galerias internacionais em Amsterdã, Buenos Aires, Lisboa, Londres, Nova Iorque e Paris. O artista é representado pela Galeria Vermelho, em São Paulo, e pela Galeria Silvia Cintra, no Rio de Janeiro.

 

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