ARMANDO QUEIROZ

Armando Queiroz, nascido em Belém, no Pará, inicia sua trajetória no início dos anos 1990. Sua produção apresenta uma pletora de imagens advindas de um núcleo fulcral, a relação do lugar e certa ambiguidade nas relações identitárias. Assim, redes indígenas, por exemplo, ganham tons dramáticos quando tingidas de preto, imantando-se sensações trágicas, sombrias, ao nos remetermos à história de sobrevivência desse grupo étnico para sempre ameaçado de aculturação e maginalização. Da feira Ver-o-peso, ícone cultural da capital paraense, Armando destaca personagens arquetípicos. Um homem com o corpo absolutamente tingido de prata, como um trabalhador de mineração ou um homem-estátua, desses que vemos comumente garimpando moedas pelas ruas das cidades, interrompe sua rotina, seu trabalho, para se alimentar em uma das barracas da feira. Em outra imagem pregnante, Queiroz apresenta-nos o vídeo Midas, em que uma pele coberta por tinta dourada está absolutamente cheia de insetos que são comidos e regurgitados pelo personagem. Armando Queiroz, assim, apresenta uma produção como ponto de inflexão, trazendo híbridos de imagens características da cultura brasileira coadunadas com referências ampliadas, fantasiosas, mas não menos críticas sobre a sociedade de consumo, a presença transversal de tradições ancestrais, populares na cultura contemporânea, a mistura de um Brasil mestiço a uma visualidade pop e, ao mesmo tempo, mística.

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