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O Instituto Amílcar de Castro, em parceria com a Prefeitura do Rio e com a articulação
da galerista carioca Silvia Cintra, vai instalar três esculturas de Amilcar de Castro no
Rio de Janeiro. Depois de um longo período de colocação de “bonecos” na cidade, em
homenagem a X, Y ou Z (pobres dos homenageados!), não deixa de ser com imensa
alegria que sabemos da possibilidade de que uma grande escultura do artista mineiro
ficará no encontro das avenidas Rio Branco e Presidente Vargas, e duas outras no
Leblon e no Arpoador.

A economia dos meios expressivos do seu vocabulário plástico ? o corte e a dobra ?
caracterizam um partido geométrico singular, distante tanto das premissas ortodoxas do
construtivismo quanto das práticas eminentemente experimentais, que investiam na
natureza da relação do espectador com a obra de arte. Como ele afirma, “A dobra faz o
espaço físico, de fora, participar da escultura, na medida em que valoriza a escultura
como um todo, no seu aspecto sensível, é o momento exato em que o ser físico se faz
escultura. Quando a matéria se une ao espaço é força, é mistério.”1

É da descoberta do corte e dobra que realiza uma de suas primeiras esculturas abstratas,
a Estrela, com a qual participou da segunda Bienal de São Paulo. Com uma versão de
2,40 cm de diâmetro, instalada, desde 1996, no Largo das Artes, perto do Centro Hélio
Oiticica (infelizmente servindo, sobretudo, de abrigo para moradores de rua), está
prevista para ser ficar na praia do Leblon, perto de onde morou no período em que viveu
no Rio de Janeiro.

O portal de chapa grossa, que está em Nova Lima, cidade mineira onde está sediado o
Instituto Amílcar de Castro, é de grandes dimensões, cerca de 6 metros de altura. A
escala para Amílcar sempre foi comandada pela forma, o que nem sempre foi possível
realizar por questões econômicas. Refez inúmeras esculturas “que sempre achei que
deveriam ser maiores”. As peças produzidas por ele em seus últimos anos de vida, no
entanto, são necessariamente de pequenas dimensões. Frontais, realizadas apenas com
planos cortados, são de chapas grossas e de grande peso. Afastando-se da tradição
construtiva, com extrema precisão nos cortes, acolhe a luz que vem do interior e cria
uma unidade plástica do espaço de grande clareza estrutural.

A obra de Amílcar de Castro traz consigo os ensinamentos de Guignard, do desenho
com lápis duro que sulca o papel, que não admite repentirs. Sua poética é uma
referência, assim como, em sua diversidade, o grande legado da sua geração foi ter
criado um terreno extremamente fértil para o pensamento plástico contemporâneo ao
repotencializar o trabalho experimental presente na tradição construtiva e gerar uma das
melhores interpretações das tradições geométricas. Não realiza apenas uma atualização
tardia da modernidade, mas se torna um dos polos radicais de reavaliação da arte
moderna.

Apesar do comodato inicial de apenas dois anos, espera-se que suas esculturas venham a
ocupar de forma definitiva o espaço urbano, ampliando o patrimônio cultural da cidade.

 

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