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DASARTES 17 /

Além da crise, na 6ª Ventosul

Bienal de Curitiba

No dia 18 de setembro, inaugura-se a 6ª VentoSul — Bienal de Curitiba, que ocupará mais de duas dezenas de espaços da cidade até 20 de novembro de 2011, com título e conceito curatorial “Além da Crise”. Alfons Hug e Ticio Escobar, curadores-gerais, conceberam a Bienal como uma plataforma global em que artistas do mundo todo se confrontarão de modo altamente subjetivo com a crise e seus efeitos sinistros para os dias de hoje, apontando também para a capacidade da arte de oferecer alternativas, exigir decisões, posições e contribuir com novas imagens.

Os curadores-gerais, cocuradores e curadores convidados visitaram a cidade várias vezes a fim de escolher os locais mais apropriados para os roteiros expositivos. Dessa forma, nos tornamos exploradores e contadores de histórias da cidade. Diferente do turista, que está sempre de passagem, nos detivemos para transformá-la e intervir em seu espaço, abrindo Curitiba a novas narrativas e viagens.

Cada Bienal oferece, assim, seu próprio caráter, lugares e percursos. Como Alfons Hug diz: “Todos esses lugares trazem seu próprio colorido local e inserem a arte contemporânea em um contexto histórico e cultural específico. Uma das tarefas mais distintas do curador é, por isso, identificar espaços e fazê-los falar”.

O Salão da Pintura da Bienal apresentará as extensões e reflexões mais radicais da pintura atual. No solar do Museu Alfredo Andersen, o artista chinês Zhang Enli vai pintar diretamente nas paredes, mudando não apenas o suporte da pintura, mas a percepção e a experiência do público em relação ao solar. Entre 1915 e 1935, esse solar foi a casa e o ateliê do pintor de origem norueguesa Alfredo Andersen, considerado o pai da pintura paranaense, cujos discípulos criaram o Salão Paranaense de Arte, ponto de encontro para discutir as tendências modernas. Tradição que de alguma forma reviveremos nesse salão contemporâneo.

Após uma breve caminhada pelo centro histórico de Curitiba, o público da Bienal encontrará o segundo solar que discutirá a pintura, a Casa Andrade Muricy, edifício histórico de 1926, patrimônio cultural que desde 1998 funciona como espaço de exposições e, nesta Bienal, receberá dezessete pintores. Se nos salões de pintura antigos predominavam os retratos e as paisagens, nesta releitura contemporânea o visitante encontrará os novos temas da pintura atual. Um trabalho inesperado e irônico, que ditará o ambiente da sala, é o vídeo do artista alemão Christian Jankowski: um videoclipe de uma banda de música mexicana cria uma coreografia e um método de pintar entre os trompetistas, bailarinos e o próprio artista.

Uma mostra de mais de vinte vídeos, fotografias e instalações ocupará as salas do Museu Oscar Niemeyer. Ao contrário da nostalgia dos solares, o Museu Oscar Niemeyer surge como símbolo moderno da cidade. As longas galerias de concreto de 60 metros e as extensas perspectivas de piso branco e linhas precisas do museu criam os espaços democráticos e utópicos da modernidade. Nesse contexto, vários trabalhos questionam o progresso moderno e outros propõem soluções para a crise, como o vídeo do artista canadense do Québec Michel de Broin, que incorpora pedais a um carro e, em vez de usar o motor, utiliza a força das próprias pernas dos passageiros, propondo uma solução irônica para a crise do petróleo.

Um vasto programa de performances, intervenções e instalações em espaços públicos, em vários parques, praças e ruas inicia-se com a Bienal. Com mais de 3 milhões de habitantes, Curitiba é conhecida por suas muitas áreas verdes, soluções urbanas diferenciadas e por seus prêmios na área de transporte e sustentabilidade. Nesse sentido, descobrimos que a própria cidade tem fornecido soluções exemplares para a crise da vida moderna. Destacamos a Ópera de Arame, que abrigará a intervenção sonora do artista argentino Cristian Segura, e o Parque Barigui, o maior e mais frequentado parque da cidade, onde o artista curitibano Fernando Rosenbaum apresentará sua performance.

6ª VentoSul – Bienal de Curitiba
Curadores-gerais: Alfons Hug e Ticio Escobar
Cocuradoras: Paz Guevara e Adriana Almada
Curadores convidados: Alberto Saraiva, Artur Freitas, Eliane Prolik e Simone Landal.
Mais informações: http://www.bienaldecuritiba.com.br

Serviço:

Museu Oscar Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999
De terça a domingo, das 10h às 18h
www.museuoscarniemeyer.org.br

Ópera de Arame
Rua João Gava, 970 – Pilarzinho
www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/espacos-culturais/espaco/opera-de-arame

Museu Alfredo Andersen
Rua Mateus Leme, 336
De terça a sexta, das 9h às 18h
Sábados e domingos, das 10h às 16h
www.maa.pr.gov.br

Casa Andrade Muricy
Alameda Dr. Muricy, 915
De terça a sexta, das 10h às 19h
Sábados, domingos e feriados, das 10 às 16h
www.cam.cultura.pr.gov.br

Ônibus turístico de Curitiba
Circula nos principais pontos turísticos de Curitiba e da Bienal
www.urbs.curitiba.pr.gov.br/PORTAL/linha_turismo

Trem Verde Express
Curitiba-Morretes-Paranaguá
www.serraverdeexpress.com.br

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