© Rafael Adorján

Alberto Giacometti é um artista de muitas possibilidades estéticas. É dessa maneira simples e objetiva que se inicia a fala sobre esse suíço de grande expressão na arte moderna do século 20. Sua obra, como a de outros grandes artistas, está além dos ismos. Não se encontra presa a um recorte temporal, mas caminha lado a lado com os grandes movimentos, tais como o Surrealismo e o Cubismo. Um trabalho que ora transpassa a fronteira, ora caminha sozinho com suas pesquisas estéticas.

Sua formação francesa foi múltipla, passando do desenho à gravura, da pintura à escultura. O pai, o também artista Giovanni Giacometti, foi para ele um dos grandes incentivadores ao seu crescimento estético, levando-o de uma educação acadêmica ao extremo da exploração da forma.

Transitou e trocou fluidos com diversos movimentos, como o Cubismo, além de sofrer forte influência das artes africanas, em especial a egípcia, com suas esculturas que guiavam o espectador. O aspecto gasto das artes primitivas é evidente em suas obras e possibilita a ideia de uma escultura viva, em uso. Em sua passagem pelo Surrealismo, a projeção dos desejos e do inconsciente penetraram em seus trabalhos, fazendo com que o artista criasse maquetes e desenhos. Dessa forma, seu toque reduz o poder de manipulação em sua criação. Giacometti rompeu com aquele movimento em busca das suas questões pessoas, pois para ele “uma escultura não é um objeto, é uma interrogação, uma questão, uma resposta. Ela não pode sernem acabada nem perfeita”.

Ao se caminhar pela exposição Alberto Giacometti – Coleção Collection Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris que, após passar pela Pinacoteca do Estado de São Paulo, está em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, depara-se com as diferentes fases e grandes obras deste artista e é possível perceber sua sofisticação. Ocupando os três andares do museu, visualiza-se de fotografias a gravuras, desenhos à esculturas realizadas pelo artista e pelos familiares dele no decorrer de sua carreira. Sob a curadoria de Véronique Wiesinger, também diretora da Fundação Alberto e Annette Giacometti, Paris, estão dispostas 280 obras, que marcam a história desse grande artista.

No primeiro andar, encontra-se uma cronologia de sua vida e obra. Uma das salas abriga fotografias de seu ateliê feitas por amigos, como Ernest Scheidegger, que mostram a intimidade do artista com modelos e amigos. Outra apresenta um filme, cujo enredo relata
sobre sua vida e obra.

O segundo piso está divido em sete espaços e traz pinturas produzidas por Cuno Amiest e Giovanni Giacometti, respectivamente, padrinho e pai do artista, influentes em sua produção. Também são expostas obras das fases cubista, primitiva e surrealista, um espaço dedicado às cabeças, tema que Giacometti levou durante toda a vida e provocou seu rompimento com os surrealistas. Em outro espaço, encontram-se luminárias decorativas e pinturas feitas para estamparia.

Entre as obras expostas nesses espaços, depara-se com Boule Suspendue, 1931 [Bola suspensa – gesso e metal], que mostra a busca pelo movimento, o movimento real. Para Giacometti, era insuportável pensar na ideia de uma imitação ou mesmo numa sugestão, pois real era de seu maior interesse. O elemento Gaiola, presente em diversas obras na mostra, traz a ideia de limitar o espaço e enquadrá-lo, como O Nariz [bronze – 1947], ou mesmo a obra intitulada A Gaiola. O Homem que Caminha [bronze, 1960] é uma das obras mais importante desse artista, também parte da mostra. Em 2011, uma das cinco esculturas dessa tiragem foi arrematada pelo valor de US$ 104,3 milhões, tornando-a então a obra de arte mais cara vendida em leilão.

No terceiro andar, encontram-se pinturas de paisagens, gravuras e os retratos feitos em escultura e pintura. Nesses retratos, Giacometti busca retirar a compreensão imediata das expressões dos modelos, obrigando o espectador a encontrar por si só as percepções transmitidas pelas obras.

Seus desenhos, pinturas e esculturas são impregnados de uma vivacidade gigantesca, como se as obras estivessem paradas por opção e que, a qualquer momento, trocariam ou sairiam do lugar. Giacometti trabalha com a ideia de espaço-tempo, da qual proporciona uma percepção tátil. O espaço permite o movimento e, este, a vida.

MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DE JANEIRO
Alberto Giacometti – Coleção Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris
Até 16 de setembro

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