Quando a agenda está mais folgada e a cabeça mais perdida, minhas experimentações são francas e constantes. O ateliê fica com ideias soltas em forma de trabalhos a serem desenvolvidos. Então vem a agenda e sou obrigado a aglutinar aquilo que será um trabalho, uma obra. A exposição realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi composta de várias esculturas. Essas esculturas tinham galhos e ossos misturados, alguns eram galhos de verdade, enquanto outros eram folheados a ouro. Em projetos futuros, pretendo voltar a pensar nesses possíveis trabalhos que estão no ateliê.

Sempre trabalhei com a ideia de estrutura e todos os desdobramentos que isso pode apontar. Os conceitos vão surgindo a cada trabalho, e um trabalho pode significar uma coisa quando está em um determinado espaço, e outra coisa diferente, se deslocado para outra situação. Então os conceitos são mais flexíveis. Na exposição que realizei na Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea, mostrei objetos realizados a partir de restos de esculturas. Esses pedaços contêm o negativo de outras peças. No entanto, os desenhos e as tensões presentes nessas formas redimensionam o olhar e cada peça sugere uma nova interpretação.

Não consigo definir um processo específico de trabalho. Minha criação acontece de várias formas, às vezes fazendo ginástica, outras dirigindo, etc. Acho que ? um estado em que você se coloca e as coisas vão fluindo. Em minha exposição, na Casa França-Brasil, está presente um trabalho que reflete esse meu envolvimento franco com o fazer uma tentativa, como venho propondo em cada uma de minhas últimas exposições. As peças da mostra são como a continuação de um braço ou de uma mão.

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