© Rochele Zandavalli

DASARTES 21 /

A poesia do fio

O Santander Cultural de Porto Alegre abriga a exposição Arthur Bispo do Rosário: a poesia do fio, reunindo mais de 200 obras do artista.

O Santander Cultural de Porto Alegre abriga a exposição Arthur Bispo do Rosário: a poesia do fio, reunindo mais de 200 obras do artista sergipano que será um dos principias artistas da próxima Bienal de São Paulo. A exposição é a terceira das três mostras que inauguraram em março no espaço, que inclui O Triunfo do Contemporâneo – 20 anos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e Rever, individual da artista gaúcha Rochele Zandavalli. Com curadoria de Wilson Lazaro, do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea no Rio de Janeiro, e de Helena Severo, a mostra é um recorte singular da produção do artista que passou a maior parte de sua vida internado em uma clínica para doentes psiquiátricos, a Colônia Juliano Moreira (RJ), e lá produziu toda sua obra.

Bispo do Rosário recusou os tratamentos psiquiátricos recorrente na época – como drogas, eletrochoques e lobotomia – e não frequentou nenhum ateliê de arteterapia. Segundo Lazaro “ele usou a instituição como atelier, casa e espaço de investigação”. Bispo dizia que sua produção era, na verdade, uma única obra (na verdade, uma grande instalação, isso antes de esse conceito ser discutido na arte contemporânea). O público poderá ver obras como os estandartes, o lençol bordado frente e verso, sua cama (onde ele nunca dormiu), assemblages e e seu famoso “manto de apresentação”, entre outras peças.

Durante a sua vida, criou as 804 obras que hoje estão aos cuidados do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, e que em 1992 foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (INEPAC). Foi bordando, desfiando, escrevendo, desenhando, construindo, pregando, sobrepondo e juntando coisas que Bispo do Rosário deixou um legado artístico único. Como ele mesmo dizia, “os doentes mentais são como os beija-flores. Nunca pousam. Estão sempre a dois metros do chão”.

<serviço>Santander Cultural
Porto Alegre
Até 29 de abril
Rua Sete de Setembro 1028 – Centro Histórico, Porto Alegre
Tel: 51 3287 5500

 

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