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DASARTES 17 /

8ª Bienal do Mercosul

Ocampo expandindo da pedagogia

Na 8ª Bienal do Mercosul, procuramos uma integração total do projeto pedagógico com o de curadoria, implementando tanto de forma teórica como prática os conceitos que inspiram o projeto expositivo.

A premissa de curadoria desta bienal propõe uma reflexão sobre todos os dispositivos culturais, políticos e sociais que contribuem para formular o imaginário de nação e metarregião. A partir do próprio termo “Mercosul”, que define uma região econômica e, por extensão, a própria bienal, a proposta da curadoria pergunta: como se constrói um país? Como o conceito de nação contribui para determinar o modo com o qual vemos tanto a nós mesmo como o que é nosso? Quais papéis exercem os processos artísticos na produção da iconografia nacional?

Visto que as obras desta bienal e a reflexão da curadoria que gira em torno delas estão ligadas à noção de reconstituir o que é um território, o projeto pedagógico também tomou um rumo paralelo para propor uma revisão do próprio campo da pedagogia na arte. Reconhece-se aqui que a pedagogia das artes visuais – em particular, da forma como se aplica a museus e bienais – é uma prática que tradicionalmente limitou sua potencialidade tanto em termos de conteúdo como de prática: quanto ao conteúdo, predomina o ensino da arte para entender a arte, e não para compreender o mundo; no caso da prática, predomina o ensino como difusão da informação, e não como gerador de consciência crítica.

A partir desta premissa, o componente pedagógico da bienal tem o propósito metafórico de “reterritorializar” – termo utilizado por Deleuze e Guattari que define os processos pelos quais uma nova identidade se forma após a queda de outra: o campo da pedagogia no âmbito das artes visuais. E ainda referenciar o influente ensaio de Rosalind Krauss, “Escultura no campo expandido” (“Sculpture in the expanded field”), no qual se articula a necessidade da prática artística de romper os parâmetros expositivos convencionais. Anos depois, propõe-se que este campo expandido, “reterritorializado”, da arte tem um caráter social em que a pedagogia ocupa um ponto central como instrumento de comunicação, reflexão e, nos termos de Paulo Freire, conscientização.

O programa pedagógico inclui as seguintes formas de entendimento da pedagogia em relação à prática artística atual:
a) a pedagogia como veículo mediador da arte (a educação da própria arte ou da apreciação da arte). Como parte deste componente, elaborou-se, pela primeira vez em português e espanhol, uma antologia de textos fundamentais sobre o tema da mediação. O projeto inclui treinamento de guias e vários componentes de suporte interpretativo;
b) a transpedagogia, ou o processo de aprendizagem como uma obra de arte (processo de conhecer como arte). Isso abrange a inclusão de vários artistas cuja prática está relacionada com o processo educativo. O coletivo finlandês YKON, por exemplo, criará um “jogo” no centro da bienal para o público cuja finalidade consiste em promover a reflexão sobre o que é uma nação;
c) a arte utilizada como instrumento pedagógico para obter um maior conhecimento do mundo (a arte para o conhecimento do mundo). Entre muitos exemplos, produziu-se uma série de guias para professores de diversas disciplinas (geografia, história, ciência política) a fim de mostrar a relevância da arte em outras disciplinas e ajudar a ampliar o público da arte no Brasil. Na cidade de Porto Alegre, ainda, inaugurou-se um novo centro cultural chamado Casa M, que oferece cursos voltados para professores e profissionais de outras atividades, que visam ampliar as questões da bienal além da própria arte.

Por fim, a proposta pedagógica desta bienal enfatiza especialmente o tema da avaliação. Cada projeto pedagógico, seja destinado a uma exposição em museu ou em uma bienal, parte de diversas hipóteses, necessidades, interesses e análises de uma realidade; sua implementação sempre fomenta novas perguntas e desafios tanto positivos como infranqueáveis. Para compreender os motivos pelos quais um projeto teve êxito ou não, é vital garantir que haja um dispositivo de observação que seja o mais neutro possível. Uma vez obtido, o que se aprende de cada experiência serve para uma melhor implementação no futuro.

Por tudo isso, em nosso projeto propomos que todos os aspectos pedagógicos da bienal sejam submetidos a uma metodologia rigorosa de documentação e avaliação que siga os seguintes critérios:
a) primeiro, realizar uma avaliação geral dos materiais pedagógicos produzidos nas duas bienais anteriores para compreender melhor seus benefícios e desafios;
b) efetuar pesquisas entre os participantes das diversas oficinas e eventos oferecidos durante a bienal;
c) promover uma documentação concisa e organizada dos diversos eventos e buscar a maneira de apresentar esta documentação de modo igualmente conciso, objetivo e organizado para futuros pesquisadores;
d) garantir a presença de dois ou três observadores dos eventos da bienal que exerçam o papel tanto de cronistas como de replicantes/interlocutores dos projetos que estão em prática. Suas reflexões podem ser publicadas no próprio blog da mostra, sendo as conclusões apresentadas no evento de encerramento da bienal, no dia 12 de novembro.

Além dos guias curriculares para professores – que serão distribuídos de forma independente –, propõe-se realizar uma publicação que reúna a documentação, a descrição, a análise e o debate do projeto pedagógico para esta edição da bienal. A ideia é que a mesma funcione como um complemento que documente e avalie a experiência da bienal a partir da perspectiva após o término do evento.

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