Pintura mais cara da ArtBasel de Peter Doig é uma revenda de garantidor, entenda malabarismo do mercado

Apenas 15 meses depois da tela de Peter Doig “O Lar do Arquiteto no Desfiladeiro” ter arrecadado US$ 20 milhões na Sotheby’s, a paisagem está de volta ao mercado.

Exibida no estande da Gagosian esta semana na feira Art Basel, com um preço inicial de US$ 25 milhões, é uma das obras mais caras da principal feira de arte moderna e contemporânea do mundo.

A pintura, que ja esteve no mercado diversas vezes e é chamada de frequent flier (algo como “passageiro frequente” usado na aviação), apareceu pela última vez na Sotheby’s em março de 2018, em Londres, onde a  casa de leilões usou uma técnica cada vez mais comum para seduzir vendedores e captar obras, reduzindo seu risco: a garantia de terceiros. Em troca de uma taxa de cerca de US$ 1 milhão, o cliente Abdallah Chatila fez uma oferta irrevogável que garantiu a venda do trabalho. Ninguém fez uma oferta maior, e ele acabou levando para casa.

“Ela foi vendida duas vezes por preços recordes para o artista e eu acreditei que seria o recorde pela terceira vez”, disse nesta quinta-feira Chatila, de 44 anos, investidor de Genebra.

Tais resultados se tornaram mais comuns no ano passado, à medida que as casas de leilão recorrem cada vez mais a garantias de terceiros para colocar ofertas pré-arranjadas em troca de uma parcela do lucro da venda. Caros trabalhos que terminaram com seus patrocinadores incluem Double Elvis [Ferus Type], de Andy Warhol, que arrecadou US$ 53 milhões na Christie’s em maio, e Pollo Frito, de Jean-Michel Basquiat, comprado pelo fiador por US$ 25,7 milhões em novembro pela Sotheby’s.

Peter Doig’s “The Architect’s Home in the Ravine”

Peter Doig’s “The Architect’s Home in the Ravine” exposta na Art Basel 2019. Foto: James Tarmy /Bloomberg

Dinheiro fácil

“Quando o mercado está em alta, dinheiro fácil é feito em garantias”, disse Thomas Danziger, sócio da Danziger, Danziger & Muro. “Agora que o mercado não é tão robusto, as pessoas acabam sendo as orgulhosas proprietárias das obras que não esperavam possuir.”

E como a paisagem de Doig na Art Basel, que foi oferecida em leilão cinco vezes desde 2002, um número crescente de obras está fazendo a ida e volta para revenda, disse Danziger.

Uma pintura de um tapete de Rudolf Stingel, que arrecadou cerca de US$ 3 milhões na Christie’s em Hong Kong em 2017, está listada no site da Sotheby’s como parte de sua Noite de Venda de Arte Contemporânea em 26 de junho em Londres. Estima-se uma valor de US$ 1,5 milhões a US$ 2,3 milhões.

Uma pintura de Christopher Wool, com a palavra FOOL em letras maiúsculas, que foi comprada por um fiador por US$ 14,2 milhões na Christie’s em 2014, foi vendida no mês passado por US$ 14 milhões na Sotheby’s.

Preços mais baixos para revendas não são incomuns.

Apenas licitante

“Se essas obras retornarem ao mercado muito em breve, as pessoas perceberão que o valor não é o que os preços de leilão refletem”, disse Danziger. “Não é uma situação competitiva. Alguém apostou e acabou sendo o único concorrente.”

Para colecionadores experientes, as garantias costumavam ser uma maneira certa de fazer um bom negócio. Eles conseguiram o trabalho que queriam a um preço ligeiramente reduzido, ou receberam uma taxa se a pintura fosse vendida para outra pessoa.

“Garantias são brilhantes se você quiser possuir o trabalho”, disse Gabriela Palmieri, que assessora colecionadores, incluindo a Berkowitz Contemporary Foundation em Miami. “Caso contrário, não vale a pena fazer nada. A menos que você conheça realmente o mercado do artista, você está brincando com fogo.”

Chatila, que também investe em diamantes e imóveis, disse que está garantindo arte há 10 anos. “No ano passado, o mercado estava um pouco mais fraco”, disse ele. “Acabei comprando a maioria deles.”

Ele disse que está vendendo O Lar do Arquiteto no Desfiladeiro para comprar “outra pintura muito importante”, e ainda acha que conseguiu um bom negócio. “Eu acredito que vale muito mais”, disse ele.

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